Doule uma, Doule duas, Doule três!
Sábado, Abril 19, 2003
Doulas x Enfermeiras
Aconteceu uma coisa estranha em um hospital de São Paulo. A enfermeira chefe não apoia a presença de doulas acompanhando parturientes e comprou uma briga pessoal com uma doula em particular. Depois conseguiu contaminar a direção do hospital e agora anda querendo fazer a cabeça das gestantes que desejam ser acompanhadas por doulas. Questionada por uma gestante, ela disse que não precisa de mais ninguém, que a enfermeira fica com ela, que acompanha e dá suporte emocional, mas que pra ser constante, sem precisar sair de perto para ver outras pacientes, ela poderia pagar à uma enfermeira o valor que pagaria para a doula.
É muito triste ver que tem pessoas que não respeitam a escolha do outro, que por ganância e medo, acabam impregnando a imagem de toda uma classe. O trabalho da enfermeira não tem nada a ver com o da doula, se tivesse, não haveria necessidade de co-existirem. A enfermeira está presente para suprir necessidades do médico e da instituição frente ao paciente e a doula não tem nada a ver com o médico e a instituição, somente e exclusivamente com a parturiente.
Evidente que se as enfermeiras fossem treinadas para doular, seriam perfeitas para o papel. Mas numa sala de pré parto, ficam 3, 4 ou mais mulheres e instituição nenhuma bancaria um corpo de enfermeiras gigante, para suprir a demanda.
Doulas e enfermeiras podem e devem trabalhar UNIDAS, e esta será a minha bandeira, daqui pra frente!
postado por: Patricia Merlin 9:48 AM
Terça-feira, Abril 15, 2003
Como será doular, estando grávida?
postado por: Patricia Merlin 7:27 PM
Domingo, Abril 13, 2003
Últmas novidades da doulagem voluntária.
No último dia do curso de amamentação, eu descobri que ser voluntária na santa casa não é tão simples. É preciso fazer um curso de 2 meses antes de começar a voluntariar. Fui procurar a Mirian que é a enfermeira que estava em contato comigo e me disseram que ela tinha saído antes de terminar o aviso prévio dela e eu fiquei achando que tinha perdido a possibilidade de voluntariar.
5ª feira (10/4) telefonei pra ela, que me ¿tranquilizou¿, dizendo que as portas ainda estão abertas, que ela também pretende voluntariar lá e que provavelmente nosso caminho seja diferente do normal.
Ela está escrevendo a monografia dela. Quando ela participou do workshop em Curitiba, ficou apaixonada pela humanização, pelas doulas e tudo o mais. E tinha decidido que este seria o tema, mas os contratempos da vida a fizeram mudar de idéia. Ela já estava trabalhando em cima de outro tema, quando a gente se conheceu e decidiu voltar para o tema doulas. Pelo visto vamos trabalhar juntas, de alguma forma, para que ela possa escrever a monografia. Falamos sobre colocar um pouco da prática, depoimentos das parturientes, etc. Mas isso é com ela, afinal a monografia é dela.
Enquanto eu espero novos contatos, vou desenvolvendo um plano de ação para oferecer o serviço de doula em consultórios de obstetrícia. E olha que tem muita coisa pra pensar, antes de agir.
postado por: Patricia Merlin 12:19 PM
Quinta-feira, Abril 10, 2003
Manejo e Promoção do Aleitamento Materno.
Santa Casa de Misericórdia de Maringá
Ivone da Silva Vechiatto ¿ Enfermeira
Objetivos:
- incentivar a prática da amamentação
- promover a saúde materna
- diminuir o desmame precoce
- divulgar o serviço na prática do aleitamento materno no hospital
- garantir o direito à amamentação
- treinar a equipe de saúde
- conseguir o título de Hospital Amigo da Criança
Título de Hospital Amigo da Criança
Definido em 1990 entre a OMS e a UNICEF
Promover, proteger e apoiar o aleitamento materno, através da mobilização de funcionários de estabelecimentos de saúde, para que mudem condutas e rotinas responsáveis pelos elevados índices de desmame precoce.
A instituição deve atender a 5 requisitos prévios:
1 ¿ Não responder a nenhum processo do SUS, com relação a atitudes tomadas com mãe e filho
2 ¿ Dispor de pessoal capacitado para atender mãe e filho no pré parto e parto
3 ¿ Condição de alojar mulheres que tiveram parto normal por 24h e cesárea por 48h
4 ¿ Taxa de cesárea de 30% (neste hospital, por atender casos de alto risco)
5 ¿
Além disso é necessário que o hospital:
- treine a equipe, ampliando a rede de agentes multiplicadores
- implante os 10 passos para mudar o perfil da instituição
- se empenhe em ações de incentivo ao aleitamento
10 passos para promover o aleitamento materno.
1 ¿ Ter uma norma escrita sobre aleitamento materno, que deve ser rotineiramente transmitida à toda a equipe
2 ¿ Treinar toda a equipe
3 ¿ Informar todas as gestantes sobre as vantagens e o manejo do aleitamento
4 ¿ Ajudar a mãe a iniciar a amamentação na primeira meia hora após o parto
5 ¿ Mostrar às mães como amamentar e como manter a lactação se vierem a ser separadas de seus filhos
6 ¿ Não dar nenhum outro alimento ou bebida além do leite materno, a não ser se indicado pelo médico
7 ¿ Alojamento conjunto, permitir que mães e filhos permaneçam juntos 24h por dia
8 ¿ Encorajar o aleitamento sob livre demanda
9 ¿ Não dar bicos artificiais ou chupetas à crianças amamentadas ao seio
10 ¿ Encorajar grupos de apoio à amamentação, para onde as mães serão encaminhadas, logo depois da alta
Amélia Favoretto ¿ Assistente social
História de vida.
Colocações dos alunos à respeito do aleitamento materno, o que sabem e o que já ouviram outras pessoas falando, independente de ser verdade.
Pontos positivos
- é importante para o bebê
- é uma vacina de anticorpos
- é econômico
- é estéril, limpo
- ajuda no vínculo afetivo
- vem na temperatura ideal
- a mãe sente prazer, fica feliz
- o bebê fica mais forte, com menos doenças
- o intestino funciona direito
- diminui o sangramento pós parto
- ajuda a voltar o corpo para a antiga forma
- regula as atividades do organismo da mãe
- é pratico
Pontos negativos
- deixa o seio flácido
- não sustenta, é fraco
- o peito racha
- a criança fica dependente
- a mulher não pode comer de tudo, por que estraga o leite
- dores no seio
- o desmame é difícil
- interfere na vida com o marido
- a mulher não recebe ajuda para amamentar
- acordar de noite
- dar o seio no meio de estranhos
Dr. Weber Alexandre S. Moraes ¿ ginecologista obstétra
Anatomia e fisiologia da mama
Anatomia ¿ estrutura / Fisiologia ¿ funcionamento
- a lactação faz parte do processo reprodutivo
- o recém nascido depende de adequado suplemento de leite materno secretado pelo organismo da mãe
- incapacidade de lactação, significa fracasso da reprodução
Não se trata de super valorizar a composição química do leite materno, mas do estabelecimento da relação afetiva mãe-filho
Desenvolvimento das mamas
Período embrionário
Ainda no ventre da mãe, o feto desenvolve a crista mamilar, chamada linha do leite, que vai das axilas até a virilha, de 4 a 6 semanas desenvolve as glândulas mamárias, com 20 semanas a aréola e com 32 semanas os tubérculos de Montgomery
Puberdade
Dura em média 4 anos, normalmente entre os 8 e os 14 anos de idade do púbere, dá ¿ se o desenvolvimento do sistema glandular, deposição de tecido adiposo e conjuntivo, tendo em média de 15 a 20 lobos (várias bolsinhas aglomeradas)
Gestação
Intensa proliferação dos lobos
Puerpério
Precisa haver o esvaziamento dos alvéolos para que a produção de leite seja efetiva
Menopausa
Com a diminuição da produção de hormônios, os alvéolos perdem a função
Controle endócrino da função glandular da mama
Mamogenese
Desenvolvimento da mama, promove o crescimento dos ductos, lóbulos e alvéolos
Lactogenese
Produção de leite, desbloqueio após o parto, a prolactina só é produzida após a dequitação da placenta
Galactopoese
Fenômeno celular de produção de leite
Lactocinese
Injeta ocitocina, que secretada produz contrações no útero
Prolactina
Hormônio da adeno hipófise produzido somente na gestação
Érica Iume - nutricionista
Composição nutricional do leite materno
O leite traz benefícios nutricionais, imunológicos e psicossociais.
A composição do leite é específica de cada espécie.
O conteúdo de vitaminas depende da dieta da mãe, sem influenciar nos sais minerais e gordura.
Fases do leite
Colostro
Até o 7º dia após o parto, é amarelado e mais grosso e em menor quantidade do que o leite maduro
Leite de transição
Do 7º ao 21º dia, sofre alguma alteração na composição
Leite maduro
21º dia em diante, mais ralo e mantém a composição estável
Durante a mamada
Leite do começo
Ralo e acinzentado, rico em vitaminas, proteínas e sais minerais
Leite do final
Grosso, branco e rico em lipídios (gordura)
Quanto mais o tempo passa, mais o leite fica rico em gordura. Gordura é energia, e quanto mais o bebê cresce, mais precisa dela.
Ivone da Silva Vechiatto - Enfermeira
Vantagens do aleitamento materno e desvantagem do leite artificial
Sobre os benefícios para a mãe:
- contração do útero
- diminuição do sangramento
- retardo da menstruação
- controle da fertilidade (aleitamento exclusivo, livre demanda, sem chupetas, anticoncepcional com 98% de eficácia)
- perda de peso após o parto
- formação de vínculo afetivo
Sobre os benefícios para o bebê:
- alimento completo
- fácil absorção e digestão
- vacina natural (anticorpos)
- ajuda na correta formação dos ossos da face e da arcada dentária, tornando menos provável futuros problemas de respiração e fala
- formação do vínculo afetivo
Sobre os benefícios para a família
- é de graça
- vem na temperatura certa
- não é preciso dividir com os outros filhos, exclusivo do bebê
- é ecológico, pois não polui o ambiente, nem na fabricação, nem com resíduos, ou lata e embalagem
- quando o pai participa deste momento, é formador do vínculo afetivo entre os 3
Sobre desvantagens para a mãe:
São motivos muito particulares, pois algumas mãe se atém ao fato de que amamentar dói, racha o bico, ela tem que ficar à disposição do bebê etc. Mas as desvantagens são na verdade, obstáculos a serem superados para que a mulher chegue ao prazer de amamentar e não, desvantagens reais.
Sobre desvantagens para o bebê:
- não há nenhuma, a não ser o fato de que uma mãe que não quer amamentar, que não sente prazer na amamentação, acaba passando muito sentimento negativo para o bebê, que passa a não querer mais o peito e desmama e obviamente, a amamentação deve ser suspensa se o bebê tiver alguma reação adversa, estiver fazendo tratamento para câncer (não lembro se radio ou quimio) ou a mãe for HIV+
Sobre o desmame:
- seguindo a orientação da OMS, amamentar exclusivamente no seio até os 6 meses
- para mulheres que trabalham, tirar o leite do peito, armazenar e oferecer em copinho
- para as que tem a possibilidade de amamentar mais tempo, até 2 anos.
- nada de ruim acontece com o bebê nem com a mãe se ela decidir amamentar o bebê por mais tempo, mas de qualquer maneira ele vai precisar de outros alimentos, por que o leite materno deixa de ser suficiente para alimentá-lo
- para as mães que optaram por amamentar o bebê até mais de um ano, recomendaram o diálogo franco com a criança, explicando o por que do desmame, o sentimento dela (mãe) com relação a isso, se o bebê já verbaliza qual o sentimento dele, nunca impor a sua vontade de forma drástica por que todo o trabalho de construção do vínculo pode estremecer.
Marcos Andrade - Enfermeiro
Mitos e as complicações ao aleitamento materno
- Abcesso da mama
Não faz mal ao bebê, para alívio da dor é necessário esvaziar a mama, a inflamação requer limpeza e cuidados
- Tipos de bico
Protuso, ideal, é o bicão
Semiprotuso, bico pequeno
Plano, sem bico
Invertido, pra dentro
Para os três últimos tipos é necessária a preparação do seio durante a gestação, através de exercícios para sensibilização da mama: esfregar com toalha ou bucha de banho, pressionar e esticar a aréola, rosquear o bico, banho de sol.
- Glicose entre as mamadas
O aporte calórico é insignificante para o organismo do bebê, só serve para afastar o bebê da mãe e distanciar o tempo entre as mamadas
- icterícia
Fisiológica, entre o 3º e 10º dia amarela, clareia e some, se for um pouco forte faz-se um banho de luz ou mesmo banho de sol
Em caso de incompatibilidade sangüínea ABO ou RH, pode levar à morte, é rara e não justifica parar o aleitamento. O diagnóstico é feito por exclusão.
1º fisiológica
2º pela tipagem sangüínea
3º amamentação
- dores e ingurgitamento da mama
A compressa morna aumenta a vascularização, que aumenta o trabalho da glândula e a produção de leite.
A compressa fria pára a produção, possibilitando a ordenha e a diminuição da dor para que a mãe possa voltar a colocar o bebê no seio e a partir daí diminuir o espaço entre as mamadas e consequentemente regular a produção de leite.
- leite fraco
o leite materno é ralo, aguado, quase transparente, daí a impressão de que é fraco.
- produção insuficiente
Toda mãe produz leite na quantidade ideal para seu bebê. Nem a mãe de trigêmeos tem produção insuficiente. E o bebê precisa mamar todo o leite da mama para se sentir satisfeito, pois é no final da mamada que ele recebe a gordura, a energia.
- bebê faminto
Nem sempre o choro indica fome, pode ser vontade de carinho sono, fralda suja, etc.
- marido ciumento
- horários rígidos de mamada
o tempo da mamada e o espaço entre elas deve ser negociado entre mãe e filho. Não há mal nenhum se o bebê se habituou com horários fixos e isto não prejudica nenhum dos dois.
- berçário de observação
Está sendo abolido nos hospitais e o alojamento conjunto vem tomando espaço.
Todos estes pontos são negativos e acarretam dificuldades para a mãe amamentar.
Aureane Villacorta ¿ Terapeuta ocupacional
Amamentação e vínculo afetivo.
Dra. Vera Beltran - Pediatra
Fisiologia da sucção e complicações da não amamentação
- comparativos do movimento da língua ao mamar no seio e na mamadeira, complicações odontológicas e fonoaudiológicas
Míriam Góes - Enfermeira
Doenças infecto contagiosas e uso de medicamentos X amamentação
A única doença que impede o aleitamento é a AIDS, ou melhor, a presença do HIV, e ainda assim, só por que não existem pesquisas suficientes para comprovar o contrário. No Alabama (USA), foi realizada um pesquisa onde se comprovou que bebês amamentados desenvolveram menos a doença dos que os não amamentados.
Não há restrição para quase nenhum medicamento, para todos a recomendação é monitorar o comportamento do bebê e em caso de alguma alteração procurar o médico, sem deixar de amamentar. O que assusta a maioria das pessoas é que quase todos os medicamentos trazem na bula a orientação de consultar um médico caso a mulher esteja grávida ou amamentando, mas a imensa maioria dos medicamentos não faz mal para o bebê.
Os medicamentos imuno - supressores (para quem faz transplante) são perigosos e deve-se suspender a amamentação enquanto se faz uso dele e depois retomar. A idéia é que analisando risco X benefício, o benefício de amamentar é muito maior.
Os medicamentos são classificados assim:
1- compatíveis com a amamentação
1- compatíveis com a amamentação, mas necessário o monitoramento do bebê para possíveis efeitos colaterais não comprovados
1- compatíveis com a amamentação, mas necessário o monitoramento do bebê para efeitos colaterais comprovados
1- incompatíveis com a amamentação
Amélia Favoretto ¿ Assistente social
Direitos da mulher
Gestante, segundo a OMS
- receber informações sobre a gestação e escolher o tipo de parto
- conhecer os processos rotineiros do parto (contração, dor, dilatação, período expulsivo)
- não se submeter a tricotomia (raspagem dos pêlos) e ao enema (lavagem intestinal), se não desejar
- recusar a indução do parto sem que seja clinicamente necessário (soro, bolsa estourada)
- escolher a posição que mais lhe convier durante o trabalho de parto (andar, sentar, tomar banho)
- não se submeter a episiotomia
- não se submeter a cesárea, a menos que se apresente algum risco para a mãe ou o bebê
- começar a amamentar o bebê sadio imediatamente após o parto
- ter o bebê 24h por dia ao seu lado (alojamento conjunto)
Mulher que trabalha
- estabilidade provisória (da confirmação da gravidez até 150 dias do parto)
- licença remunerada (120 dias)
- direito a amamentação (2 períodos de 30min por dia para bebês de até 6 meses, toda empresa com mais de 30 funcionárias tem que ter creche própria ou convênio)
- licença para natimorto ( bebê que nasce morto a partir do 6º mês, 120 dias)
- licença para aborto não criminoso ( não anotei!)
Mulher que adota
Licença remunerada
120 dias, se a criança tem até 1 ano
60 dias, se a criança tem de 1 a 4 anos
30 dias, se a criança tem de 4 a 8 anos
A amamentação para a mulher que adota:
- desejo de amamentar
- contar com o apoio da família e do companheiro
- aprender sobre a lactação e amamentação, buscar informação
- induzir a lactação através de medicamentos e hormônios, sob orientação do médico
Mirian Góes ¿ Enfermeira
Aconselhamento em amamentação
O profissional da saúde:
- tem papel chave na manutenção da amamentação
- deve desenvolver suas habilidades para lidar com a mãe que amamenta
- não tem que dizer a mulher o que ela DEVE fazer
- tem que ajudar a mulher a decidir o que é melhor
- precisa saber ouvir e entender o que sente a mulher
A mulher que amamenta:
- perde facilmente a confiança em si mesma
- pode responder a pressão dos familiares e amigos dando mamadeira e chupetas ao bebê
- precisa sentir que está acertando, para que se sinta boa no seu papel de mãe
A mulher que amamenta pode ter dificuldade em expressar exatamente o que sente ou que acontece com ela e o bebê. Para que a conversa se estabeleça é necessário:
- utilizar comunicação não ¿ verbal útil ( afirmando com a cabeça, olhando nos olhos, prestando atenção, respondendo hum, ahã, etc)
- manter a cabeça na mesma altura da mãe, não obrigando-a a olhar para cima (posição de submissão)
- remover obstáculos (mesa, cadeira, papéis) e manter-se próximo
- dedicar tempo
- tocar apropriadamente e com permissão
- fazer perguntas abertas, são mais úteis e levam a mulher a explicar e dar maiores informações (como...? por que...? quando...? onde...?)
- usar expressões e gestos que demonstrem interesse pelo que está sendo dito
- repita com suas palavras o que a mãe disser, ela precisa ouvir que você entendeu e apoia
- tenha empatia
- evite palavras que emitam julgamento (bem/mal ¿ certo/errado ¿ suficiente)
- aceite e respeite as decisões dela
- não discorde
- não concorde com idéias erradas
- responda de forma neutra
- reconhecer e elogiar posturas corretas
- poucas e relevantes informações, somente o que for necessário para aquele momento
Técnicas de amamentação
1 ¿ toque o mamilo no lábio inferior do bebê
2 ¿ o bebê abre a boca
3 ¿ coloque o mamilo e a aréola na boca do bebê
4 ¿ rápida e firmemente puxe a cabeça do bebê para a mama
Posições para amamentar
- sentada tradicional, com o bebê atravessado na frente da mãe
- sentada invertida, com o bebê embaixo do braço da mãe e o corpinho para trás
- deitada de lado
- posição especial para gêmeos
Posição da boca do bebê
- centrada em frente ao mamilo, boca bem aberta, queixo encostado na mama, lábios virados pra fora (peixinho), não apertados, cerca de 3cm da base do mamilo, língua sobre a gengiva inferior, bochecha fofa arredondada sem encovar
Freqüência da sucção
- rápida no início
- ritmada durante a mamada
- irregular no final
Boa pega
- todo o corpo do bebê junto ao da mãe, na mesma altura da mama
- não se vê a aréola
- o bebê dá chupadas grandes e espaçadas
- o bebê fica relaxado e tranqüilo
- a língua não faz barulho
- a mãe não sente dor
- faz barulho para engolir o leite
- a orelha mexe
- a cabeça mexe
- quando o bebê larga a mama, o mamilo está alongado e redondo, não achatado e sem estrias vermelhas ou brancas
Como retirar e estocar o leite
- para dar ao bebê quando a mãe se separa
- para aumentar a produção
- para prevenir ou aliviar ingurgitamento
Extração manual
- lavar as mãos
- sentar-se em local silencioso e tranqüilo
- aplicar compressa fria de 3 min antes da ordenha
- apoiar o seio com a mão que fará a ordenha
- massagem circular na base do seio e do mamilo
- estirar o mamilo
- girar o mamilo
- polegar sobre a mama e os outros dedos na borda da aréola
- apertar com cuidado em direção ao mamilo
- ignorar os primeiros jorros
- ordenhar em um pote de vidro, limpo e fervido (tipo maionese com tampa de plástico)
Para guardar:
- 06 horas em temperatura ambiente
- 24 horas na geladeira (identificar a data da coleta com etiqueta)
- 07 dias no congelador
- 15 dias no freezer
- 06 meses pasteurizado (bancos de leite)
Para descongelar:
- descongelar na geladeira ou microondas, deixando sempre um pedaço de gelo para descongelar em temperatura ambiente
- em temperatura ambiente, fique atenta, pois descongela rápido
- aquecer em banho maria, somente o que for usar, não pode ser reutilizado
- descongelar toda a porção congelada, para não separar nutrientes
- depois de descongelado, pode ser utilizado nas próximas 24 horas
Nos bancos de leite:
Quem pode receber?
- prematuros ou RN de baixo peso
- RN infectado, principalmente portadores de doença imunológica
- Alérgicos
- Casos excepcionais
- Sempre com indicação médica
Quem pode doar?
- toda mulher que amamenta e que tem produção excedente
postado por: Patricia Merlin 10:31 AM
Sobre a dor
Realmente tem muitas maneiras de trabalhar com a dor... acredito que se você tem a possibilidade de experimentar, improvisar ao longo da sua própria experiência as coisas vem a tua mente e mãos.
Pessoalmente eu uso água, chuveiro, banheira e massagem de baixo de água com muito sucesso, chegar ao hospital mas tarde possível, massagear com óleos, conversar, ditar na cama com a mãe, trocar de posições enquanto a mãe cansa....
a idéia da doula num hospital aonde essas técnicas não são bem vindas ou enquanto a mãe não esta pronta para um parto sem anestesia e bem diferente, mas não impossível...ai a troca com as doulas locais tuas será provavelmente mas eficaz do que encher a tua cabeça com um livro adaptado de experiências norte americanas lidando com mulheres cujo dia a dia ( idéia da dor. como relacionar com a dor, gravidez, idéia de nascimento, relacionamento marital si tiver, numero de filhos etc), não tem nada ver com a realidade das tuas clientes.
postado por: Patricia Merlin 10:30 AM
Doula fantasminha camarada!
Espero que tenha ficado claro que eu não tenho a intenção de ser vista. A "perfeição" está em possibilitar esta experiência encantadora para a mãe, sem que sejamos percebidas pela equipe de forma negativa. Não quero dizer que a gente trabalha pra satisfazer a equipe, mas que se eles não ficarem aborrecidos com a nossa atuação, já é grande coisa (frente à instituição), um grande passo para estar presente de novo, e de novo, e de novo.
postado por: Patricia Merlin 10:30 AM
Ah! Aquele olhar!
Sabe que eu só doulei a menina do estágio por enquanto e sei exatamente qual é o olhar ao qual você se refere? É uma coisa de fêmea pra fêmea. No caso dela, que não me conhecia, o olhar procurava alguém, e de repente me encontrou, a princípio não foi preciso dizer nada e depois foi como se a gente se conhecesse há muitos anos.
Coisa boa, né?
postado por: Patricia Merlin 10:29 AM
Quinta-feira, Abril 03, 2003
Encontro com gestantes.
Sexta (28/3) aconteceu o encontro com gestantes.
Estar cara a cara com a realidade leva os conceitos pelo chão. Não diminui a minha convicção de que o trabalho que eu quero desenvolver tem fundamento, mas mexe com alguns valores.
O grupo contava com 18 gestantes acima de 7 meses. A IMENSA maioria ouviu as orientações da enfermeira do hospital, como grandes novidades.
Sobre tudo: se tem que levar roupa delas e pro bebê, passando pela identificação da dor e a hora de ir para o hospital, até o registro do filho em cartório, etc.
Viram? A comprovação do que eu disse antes. Estas mulheres não tem a MENOR noção do que vai acontecer com elas, não sabem como se portar, não sabem do que tem direito, se bobear não sabem nem como foi que engravidaram.
Analisando isso tudo, fica fácil entender por que é que a gente permitiu que a tecnocracia se instalasse. Os nossos médicos, as nossas instituições são detentores da informação e logo, detentores do poder. E fazem o que bem entendem, sem serem questionados e sem precisar dar satisfação pra ninguém.
Todas estas mulheres estão fazendo pré natal em postos de saúde e chegaram até o 7º, 8º mês, sem saber de coisas básicas, como a dor, as contrações, o por que do parto normal, benefícios da amamentação. Um monte de coisas...e o que é que custa pro posto de saúde despender um pouco da atenção deles com estas mulheres? Infelizmente a classe dominante se favorece da nossa ignorância.
Mas tirando isso, o encontro foi legal. A enfermeira responsável por atendê-las é muito bacana, particularmente apaixonada e defensora do parto normal. Ela tem muito mais informação do que o tempo permite fornecer e talvez, mais do que as gestantes estejam prontas pra receber. Uma pena!
postado por: Patricia Merlin 7:36 PM
Trabalho de doula é trabalho de formiguinha!
Eu também penso com a cabeça de quem está sendo atendido, até por que eu ainda não passei pela experiência de parir. Mas o que aconteceria se eu entrasse em trabalho de parto, hoje? A MINHA postura seria diferente, EU é que colocaria as rédeas no meu marido, como aliás já estou fazendo, jamais iria para o hospital com o trabalho de parto bem no comecinho, inclusive a minha luta é maior, eu quero ter meu bebê em casa. Ma isso é outra história.
Eu só posso exigir tudo isso por que eu tenho a informação que me possibilita exigir.
O que eu quis dizer, é que pelo menos no caso deste hospital, o maior problema na prática é a falta de informação de quem está sendo atendido. Não quer dizer que os médicos não sejam umas bestas desumanizadas, eles de fato são...mas têm sido obrigados a ter um prática diferente por que se trata de um projeto do governo. A enfermeira me contou que os médicos do hospital relutaram e continuam relutando muito com o novo modelo. Alegam que essa história de parto humanizado é balela, a começar pelo nome, já que nenhum deles faz parto em bicho e sim em humanos...
O que eu vejo no seu caso, é que como você já tem uma relativa experiência, como já domina outras coisas (além do segurar a mão), você fala com muita segurança, de igual pra igual, com qualquer um que possa querer te convencer de que você não poderia estar ali. E ai você se frustra, por que também sabe que eles estão só te boicotando. Me desculpa a moral psicológica, mas é que me despertou uma vontade de te apoiar...nunca se esqueça que a gente (que metida!) ainda tá engatinhando, não dá pra querer que todo mundo passe a entender a sua maneira de pensar, por mais que você esteja coberta de razão. Talvez seja um bom exercício, parar e refletir onde é que você pisou, no calo de quem e quem sabe voltar lá pra conversar, não esperar que você tenha outra pessoa pra acompanhar pra chegar lá e tomar um não na cara. Você é tão especial, com certeza vai conseguir sensibilizá-los e mostrar que a sua figura não compete com a deles, você são distintos a começar pela essência (mas eles não precisam saber deste detalhe).
Lembre-se: Trabalho de formiguinha! E como as formigas são muito pequenas, às vezes alguém pisa em cima...
postado por: Patricia Merlin 7:36 PM
Repensando as diferenças.
Parece natural que a gente queira que as coisas funcionem da maneira que achamos correta. A nossa certeza é mais certa do que a do outro...
Pois bem, ontem, enquanto eu conversava com a supervisora de enfermagem da Santa Casa, aconteceram dois pequenos incidentes.
Um marido, nervoso por causa das dores da esposa, ameaçou bater no médico, exigindo que ele fizesse uma cesárea para que a mulher parasse de sofrer.
E uma outra gestante chegou chorando, com muita dor de cabeça, a pressão nas nuvens, acabou vomitando e conversando com ela, as enfermeiras "descobriram" que ela vinha passando mal há umas 2 semanas, mas que sequer contou pro marido.
Pra gente, pode parecer um absurdo um homem ameaçar um médico por causa de dores do parto ou uma gestante sentir-se mal e não procurar um médico pra saber se está tudo ok.
Mas, este hospital pelo menos, é particular e atende as pacientes do SUS através de um convênio com a prefeitura (por causa da implantação do programa de humanização) e eles só tem a função de receber a mulher no momento do parto. Ou seja, quase sempre não tem nenhum tipo de vínculo com esta mulher antes que ela chegue ao hospital. A orientação dada ao casal é responsabilidade dos postos de saúde, onde elas fazem o pré natal. E pelo visto eles não estão explicando tudo como se deve, não estão fazendo o papel de agente modificador.
De nada adianta implantar um programa de humanização do parto sem se preocupar em humanizar o pré natal, sem se preocupar em formar também a cabeça da gestante e do seu marido para que estejam preparados para o momento do parto.
Por isso, a gente talvez deva dar um desconto para as instituições que proibem a permanência de acompanhantes. Na verdade a proibição é para acompanhantes desinformados, que nada acrescentam ao processo.
Não quero dizer que acho certo, mas que a gente tem que pensar caso por caso. Do mesmo jeito que a nossa presença durante o processo tem que ser cautelosa, a do marido ou acompanhante também deveria ser.
A imagem de um homem gritando e ameaçando, deixando todo mundo nervoso, inclusive sua própria esposa, definitivamente não combina com o modelo de atendimento ao qual nos referimos, ao que almejamos para nós e para as mulheres que acompanhamos.
postado por: Patricia Merlin 10:20 AM
Trabalho Voluntário
Bom, eu já havia conversado com as enfermeiras responsáveis pelos hospitais que possuem convênio com a prefeitura para a implantação do programa de parto humanizado, antes de ir para o curso em São Paulo. Ambas se interessaram muito pela possibilidade de trabalharmos em parceria.
Estive conversando com a Miriam, enfermeira da Santa Casa de Misericórdia. Ela fez um workshop em Curitiba, com a Fadynha (e outros), por ocasião do início da implantação do programa e voltou muito empolgada com o que aprendeu. Mas acontece que ela está se desligando do hospital, por motivos particulares. Mesmo assim, me recebeu super bem, fechamos sobre o trabalho como voluntária, ela amou o material do curso de doula, disse que apesar de um pouco de má vontade dos médicos e da direção do hospital, o trabalho que está sendo desenvolvido até é legal e que a pessoa que vai substituí-la também pensa como ela.
Na verdade, ela está saindo muito na boa, sem brigas e já tem engatilhada a possibilidade de continuar trabalhando como voluntária também. Ela tem a idéia de treinar as outras voluntárias do hospital e tentar trazer mais gente pra trabalhar.
Como a gente, ela tem certeza que o modelo humanizado é infinitamente melhor, mais justo, do que o já enraizado e quer trabalhar neste caminho a partir de agora. Estamos pensando em uma parceria para o futuro.
Ela também trabalha num outro hospital, o Elefante Branco, que eu já mencionei nas listas. Foi construído para ser a maternidade municipal, mas até agora (2 anos depois) só funciona o atendimento de urgência para pediatria. Ele conta com um enorme estoque de materiais que poderiam estar fazendo ¿milagres¿ em outros hospitais, como cadeira de parto, berços aquecidos, camas, cadeiras de roda...tudo parado.
A secretaria de saúde mandou algumas pessoas para o work shop em Curitiba e o trabalho parou por aí, cada um teve que se virar pra implantar. Na Santa Casa, depois de alguns incidentes, ela, por conta própria, resolveu fazer uma espécie de cursinho pra gestantes, pra apresentar o hospital e falar um pouco sobre a conduta no parto humanizado. Mas essa iniciativa foi dela, nada a ver com secretária de saúde ou com a administração do hospital e ela decidiu fazer, pra tentar diminuir o número de maridos alterados, mulheres desesperadas. Lamentável.
Enfim, no meio disso tudo, me falou do curso de manejo e aleitamento materno, que será promovido pelo próprio hospital e é destinado a todos os funcionários, inclusive faxineiros e me convidou pra participar. Aceitei, é claro! E também vou na próxima reunião de gestantes, sexta ¿ feira.
postado por: Patricia Merlin 10:19 AM