Doule uma, Doule duas, Doule três!
Quarta-feira, Março 30, 2005
OAB estuda proposta de ampliação da licença para gestante
Brasília, 29/03/2005 - O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Roberto Busato, recebeu hoje (29) da Sociedade Brasileira de Pediatria minuta de projeto de lei propondo a ampliação do período de licença-maternidade dos atuais quatro para seis meses. A proposta foi encaminhada por Busato para análise de quatro comissões da OAB: Comissão Nacional de Direitos Humanos; Comissão Nacional de Direitos Sociais; Comissão Nacional da Mulher Advogada; e à Comissão da Criança e do Adolescente. Posteriormente, a minuta de projeto será avaliada pelo Conselho Federal da entidade.
A proposta de projeto de lei é o primeiro fruto do termo de parceria firmado entre a OAB e Sociedade Brasileira de Pediatria, visando o estudo de projetos e divulgação de campanhas que reforcem a garantia dos direitos da criança e do adolescente. O termo formalizando o trabalho conjunto foi assinado por Roberto Busato e pelo presidente da SBP, Dioclécio Campos Junior, na última sessão plenária do Conselho Federal da OAB.
A OAB examina neste momento a viabilidade de uma legislação que concilie os interesses do empresariado com os direitos de mães e filhos, de gozarem de uma convivência mais estreita nos primeiros seis meses de vida. Na proposta, a Sociedade Brasileira de Pediatria cogita formas de incentivo para empresários que desejem oferecer uma licença prolongada às funcionárias.
Na opinião de Busato, a parceria com a SBP é "um modelo de convergência da Ordem com entidades que, da mesma forma, lutam pela afirmação da cidadania no País". "Hoje a Sociedade tem claro que boa parte das causas das doenças dos pacientes que atendemos tem origem na falta de acesso a direitos essenciais ao pleno desenvolvimento de crianças e adolescentes. Por isso, essa aliança é para nós muito importante", frisou Dioclécio Campos Junior.
Além desta primeira proposição, as duas entidades seguirão estudando ações conjuntas e campanhas de âmbito nacional visando à redução da violência, diminuição do trabalho infantil no Brasil e dos abusos contra os direitos de crianças e adolescentes.
postado por: Patricia Merlin 12:45 PM
Quinta-feira, Março 24, 2005
23/03/05
Dois TP-s e um calor absurdo!
Quando cheguei as duas estavam sentadas em suas camas, de frente uma para a outra, segurando a dor.
Estavam acompanhadas por outra voluntária que dizia: olha aí, coitadinhas, estão assim desde a hora que chegaram, sofrendo, sentindo dor.
Tenho que dar um desconto, ela é voluntária, mas não sabe nada sobre doular. Inclusive, fica mais nas outras áreas da maternidade do que no TP. Estou pensando em fazer textos para distribuir entra as demais....
Enfim, ela foi embora e eu fiquei com elas.
Começamos conversando amenidades: nome, idade, sexo do bebê, semanas de gestação, desde que horas estavam lá, o que sabiam sobre a evolução do próprio TP, etc.
As duas tiveram comportamentos muito parecidos. Não queriam andar ou tomar banho, não pediram por massagem, mas mudaram de posição infinitas vezes, aceitando aos poucos as minhas dicas. Com o tempo, passaram a rebolar, agachar, inclinar pra frente segurando na cama, pendurar em mim.
Como elas não solicitavam muito minha ajuda física, passei a incentivá-las com palavras.
Conversamos sobre estarem num ambiente estranho, com pessoas que não conheciam e de como isso poderia atrapalhar a evolução. Incentivei-as a explorar mais o espaço e tomarem aquele quarto como delas, a mentalizarem como se fosse o ninho, pra tentarem ficar mais à vontade. Entre as contrações, insinuava que conversar com o bebê, explicando o caminho e o trabalho que estavam fazendo juntos, poderia ajudar o TP. Elas foram entrando cada vez mais na minha conversa e passaram a prestar mais atenção nas dores, mudavam a respiração, tentavam encontrar melhores posições. Se soltaram mesmo! Com gemidos e gritos espontâneos, sem vergonha de fazerem barulho, a respiração solta, o corpo solto.
Entre uma coisa e outra, 4 toques em uma e 2 na outra. Comentários como: Dói mesmo, viu filha? (médico) ou: Você pode sair um pouquinho pr médico fazer o toque? (enfermeira) surgiam de vez em quando.
Ao segundo eu respondi docemente: Por que? Eu sempre fico durante o toque.
Ela: Elas podem ficar envergonhadas.
Eu: Ah, é? Bom, se elas quiserem que eu saia, eu saio....
As duas olharam pra mim, com olho esbugalhado e acenando não com a cabeça. Durante os toques, elas sempre pediam a minha mão.
Às 18:30h E., que havia chegado com 4cm, estava com 5 e D., que havia chegado com 2cm, permanecia na mesma.
Às 19:30h, depois de muita conversa e alguma movimentação, E. estava com 8cm e D. com 5cm.
Depois disso a evolução delas foi bem rápida.
O bebê da E. nasceu por volta de 20h, com 52cm e 4.080gr! E o da D. às 21h. com 48cm e 2520gr.
Como não tinha mais nenhuma mulher no TP, passei nos quartos pra ver se estavam todos bem. Conversei um pouco sobre amamentação com algumas e também sobre pós parto, descolamento de placenta, exame do pezinho...
Antes de ir embora, passei pra ver a E. e a D.
postado por: Patricia Merlin 2:55 PM
Quinta-feira, Março 03, 2005
23/02/05
3 TP¿s, uma cesárea, um PN manteiga e um natimorto.
P. estava internada há uma semana, com o bebê morto no ventre. Não sabiam o que havia acontecido, mas esperavam pela expulsão natural do feto. No fim, ela teve uma indução.
Quando eu cheguei, ela estava com 7cm e apesar de dividir a sala com outra mulher, dediquei minha atenção à ela.
Ela sentia dores moderadas, pedia pela massagem e segurava minha mão com força.
Conversamos muito sobre o que estava acontecendo, sobre as expectativas que se frustraram com aquela morte e do sentimento de ser mãe. Eu disse que talvez, despedir-se do bebê, liberando-o para deixa-lo que se transformasse num anjinho, fizesse o TP acelerar. Ela seguiu meu conselho e chegou a dizer em voz alta: meu filho, eu te amo!
Não passou nem meia hora e o médico veio tocar...dilatação total.
Ele estourou a bolsa dela e o líquido saiu escuro, vermelho, com cheiro ruim.
Ela me olhou e perguntou se já ia acabar. Eu disse que sim, que a levariam para o CC e que logo ela estaria no quarto. Ela me pediu pra avisar a mãe dela, que estava na recepção.
Mais tarde encontrei-as no quarto. Estavam tristes, é claro. Mas a P. agradeceu muito pela força e disse que se achava que ficaria naquele quarto por muito tempo ainda, que despedir-se do bebê foi muito bom, ela tem certeza que foi por isso que o TP andou.
Então, pude me dedicar à
C.
Primípara, estava no hospital há 3 horas, com 3cm de dilatação. Contrações muito fortes e ele se segurando toda.
Comecei conversando amenidades durante os intervalos, ela foi relaxando e aceitando massagem. Se soltou tanto que parou se engolir os gritos, colocou-se a berrar.
Passeamos muito pelos corredores, consegui colocar o marido a mãe e a sogra na beirada do corredor e eles ficaram todos juntos, conversando e dando apoio pra ela. O marido aprendeu a massagear e se revezava comigo. Ela rebolava, ria e beijava o C. na boca. Continuava doendo, mas pelo menos ela estava com a família.
Eles não estavam entendendo muito bem. O marido ficou bem assustado ao vê-la, mas eu conversei com ele depois, esclarecendo a normalidade da coisa.
Ela decidiu voltar pro quarto.
Pra nossa surpresa, tinha mais uma mulher no TP e eu nem tinha visto ela entrar. Já conto dela!
Mais um toque na C. e nada de dilatar. Os mesmos 3cm da admissão e 5 horas de TP no hospital. O médico chegou a falar em cesárea, disse que se até às 22h não dilatasse, ela ia pro CC. Ela ficou num misto de medo e alívio. Conversamos bastante sobre a cesárea, sobre como o PN é melhor e mais seguro, mas ela parecia se render.
Foi pro banho e o marido dela apareceu no corredor, em frente a porta. Eu: como vc entrou? Ele: escondido!
Achei lindo! Coloquei ele pra dentro do quarto, ninguém viu! Eu saí e deixei os dois no banheiro, se alguém me perguntasse, eu diria que não sabia de nada.
Ela continuou andando, agachando, aceitando massagem, sentindo dores fortíssimas, mas mesmo assim o TP parou e ela foi encaminhada pra cesárea. Não vi o bebê.
S. teve um parto manteiga. Esperta, ficou em casa fazendo faxina até a hora de decidir ir pro hospital. Chegou com 8cm e dilatou total em menos de uma hora. Ela era brava, dava umas broncas no bebê, xingava o marido.
Aceitou massagem e ficou de pé pra rebolar comigo, agachando nas contrações.
O expulsivo dela levou uns 20 minutos!
Vi o bebê tomar banho e conversei com ela depois. Estava com fome e pediu pra que eu chamasse a mãe lá fora.
Ah, se todas fossem assim! Será que tem receita?
O bebezinho.
Enquanto a C. estava com o marido no chuveiro, eu entrei nos quartos pra falar com a mulheres recém paridas. A mãe do R. estava se queixando que o menino só queria colo, que não sossegava em outro lugar e que ela achava que o leite dela era ruim. Primeiro eu disse que é assim mesmo, né? Ele acabou de nascer, quer você, seu peito, etc. depois comecei a falar o que penso sobre amamentação e complementos. A moça mudou de cara, ficou mais tranqüila e disse que não ia dar complemento não (ela tinha pedido pra enfermeira, que demorava pra levar, pq o hospital é amigo da criança, eles não cedem fácil). Eu sugeri que ela o deixasse comigo e que ela fosse tomar banho. Pois a moça demorou uma meia hora e o R. dormiu no meu colo. Coloquei-o de bruços na cama e fiz massagem no pé.
Ela saiu do banho animada e achou graça de ver o bebê dormindo daquele jeito, agradeceu e voltei pro TP.
Antes de eu ir embora, passei no quarto dela. E não é que menino ainda dormia? Ela não acreditava! Nem eu, pra falar a verdade!
postado por: Patricia Merlin 4:59 PM