24/03/06
O tempo tem passado rápido demais e eu não estou conseguindo escrever os meus relatos!
Nas últimas semanas eu acompanhei 11 TPs e 8 partos, incluindo a primeira cesárea.
Eu lembro vagamente os detalhes, acho que se eu for contar vou acabar misturando as histórias.
Eu sei que teve:
-uma mulher que estava sentindo o TP como algo muito sofrido e mesmo tendo acompanhante o tempo todo e a minha presença também, a experiência do parto foi não bacana pra ela. Mesmo depois do nascimento do bebê, ela ficou irritada, triste, etc...
-2 adolescentes que passaram pelo TP de forma tranquila. Uma teve um PN bacana e a outra uma cesárea que pareceu não muito adequadamente indicada, Não entendi muito bem como aconteceu, mas depois de puxar o bebê, ele acabou voltando e caindo na cavidade abdominal... sinistro! Tinha MUITO mecônio. O bebê foi pra UTI, mas ficou tudo bem.
-um PN manteiga, cujo TP foi muito rápido. A mãe já tinha 2 PNs anteriores.
-um TP tranqüilo e nada demorado, mas que deixou a mãe agoniada, por que o primeiro parto foi bem mais rápido.
-um TP lindo, onde a mulher se apoiou completamente em mim e a gente rebolou muito junto, inclusive embaixo do chuveiro. A mãe dela estava junto e chorava ao nos ver tão próximas. Foi muito legal, depois conversamos bastante sobre o trabalho da doula.
-TP e parto de uma mulher 2 vezes maior que eu. Todo mundo ficou agourando, dizendo que eu não ia dar conta de doular uma mulher ao grande... hehe Mas deu tudo certo!
-uma japa doida, de atendimento particular, cujo médico não estava no hospital (e acho que nem estava na cidade), que chegou com 4cm de dilatação e queria fazer cesárea de qualquer jeito!!!! E o desejo dela foi atendido!
Também tem outras coisas acontecendo no hospital...
O médico parece acreditar cada vez mais na importãncia da doula e faz questão de deixar isso claro para a equipe. Ele disse para um dos residentes (na minha frente) que quando eu estiver lá, ele pode ficar despreocupado, pode deixar os TPs rolarem sem intervenções, principalmente sem a bomba de soro.
Nos partos que eu acompanho, as episiotomias estão virando lenda.
Tem gente na enfermagem dizendo que eu devia ser contratada do hospital e tem gente que ainda me olha de cima abaixo, como se eu fosse um ET.
Fora do hospital, a pareceria com o médico ainda não engatou, mas é só uma questão de tempo, eu espero.
Acabei de voltar de São Paulo, onde fiz o curso de Educadora Perinatal, no
GAMA. Estou cheia de idéias, cheia de energia e pronta pra recomeçar!
Patrícia Merlin
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10/02/06
Puxa uma cadeira que o relato hoje é grande!!!
A maternidade estava lotada de recém paridas e não parava de chegar mulher pra ser examinada.
No TP, só a
AC. acompanhada da mãe. Primigesta, 19 anos e muito pouco disposta a sair do lugar, ouviu com atenção tudo o que eu expliquei, as dicas que dei, mas não seguiu nenhuma delas. Não quis andar, por que a camisola é feinha, tinha vergonha. Não quis sentar, por que não consegue. Nem agachar, por que depois não levanta. Não quis tomar banho, por que levantar é difícil. Nesses casos a minha ação fica muito limitada e eu forcei um pouco a barra, dizendo pra ela aproveitar que só estávamos nós duas, por que com o tempo o TP ia engrossar e ela ia precisar muito ajudar o corpo dela, pra ela ir treinando enquanto as dores estavam suportáveis. Quando eu cheguei (mais cedo hoje, às 17h), ela estava com 2cm de dilatação e as dores começavam.
A mãe dela tentava em vão tirá-la da cama e depois de muita conversa, ela decidiu ficar em uma cadeira, inclinando o corpo para a frente quando vinha uma contração.
Neste ponto do TP, outras 2 mulheres chegaram e eu direcionei a minha atenção à elas.
A
J. ficou o dia todo andando na rua, foi em dois hospitais antes de ser admitida na Casa às 18:30h. Nesses dois hospitais, ela ficou o tempo todo ativa. Uma outra grávida que estava com ela e fez o mesmo caminho, me contou que ela não parava um segundo, mas que estava muito concentrada.
Quando ela foi admitida na Casa, estava com 4cm e um pouco cansada, preferiu ficar deitada. Eu estava com outra menina, mas mesmo assim ia lá de vez em quando falar com ela. Deitada ela se contorcia de dor, mas ainda conseguiu normalizar a respiração. Depois de um tempo (pouco), sugeri o banho só pra tirar a nhaca da rua e ela foi. A mãe dela estava junto. Na volta ela sentou na minha bola e eu fiquei massageando as costas dela.
Ela levantou umas 3 vezes pra ir ao banheiro, fez xixi, fez cocô e vomitou também.
O médico tinha acabado de tocar (8cm), na quarta vez que ela decidiu ir ao banheiro.
A mãe dela tinha saído do TP também.
Diálogo:
J.: - Eu tô com vontade de fazer cocô.
Eu: É normal J., a cabeça do bebê está pressionando lá embaixo... (abaixei na frente dela)
J.: Acho que eu não vou fazer, não. Tenho o intestino preso.
Eu: Fica aí um pouquinho, pq pode ser que você realmente faça alguma coisa. (não sei pq levantei, dei um passo pra trás, abri a porta do TP e vi o GO entrando na sala de consulta, no fim do corredor, nem sinal da auxiliar do postinho)
Quando eu me viro:
J.: - Ele está nascendo.... (ela apóia as mãos no assento do vaso e ergue um pouco o corpo)
Eu: * * * * * * * * * (olho e vejo um líquido viscoso escorrendo... e cabelos)
Pensamento: pqp! Cadê todo mundo????? (abro a porta e chamo, tentando não demonstrar desespero: Fáááááátima!)
Dei o passo mais largo da minha vida pra chegar nela numa passada só! Minha preocupação era esse menino cair na água....
Pedi pra ela tentar não fazer mais nenhuma força (e ela não estava fazendo) e coloquei as mãos por baixo, quase tocando a bunda dela. No que eu encostei a mão, a cabeça saiu, primeiro o "cucuruto" alongado e depois o giro feito na minha mão.
Eu: J. ... não faz força... (e eu olhando aquela carinha amassada, com os olhinhos bem cerrados)
J.: Não façooooo..... (sussurrando)
Um ombro....
Outro...
Plumbt! Muito líquido, a bolsa dela não tinha rompido até um pouco antes... E eis que o
P. estava nas minhas mão! Com as costinhas viradas pra cima...
O GO e o resto do povo todo chegaram neste exato momento:
GO: .... eita, que beleza! (risos)
Passei o bebê pra ele e fiquei alí acocorada num canto entre o vaso e a parede, segurando a mão da
J.. Ela com um sorriso mole no rosto. A enferemeira boquiaberta, a mãe dela vibrando, o residente pegando material pra concluir e um mundo de gente atrás desse povo, rindo, parabenizando, falando, saindo pra contar....
O GO virou ele de ladinho, ele fez xixi e o jato foi direto pra dentro do vaso, entre as pernas da mãe. Todo mundo riu!
Ele disse pra ela segurar, mas ela não quis, estava mole, tremendo... Eu também!
Depois ele vira pra mim e pergunta se está tudo bem.... Eu só ria, olhos marejados!
Enfim... o cordão foi cortado, o GO o levou ao berçário. Tudo bem com ele, 49,5cm, 3.700gr.
A
J. ficou um pouco no vaso, esperando a placenta sair, mas depois decidiram levar ela pro leito e depois pro CC, por que ela teve um laceração média (não me perguntem quanto é isso, por que eu não dei atenção aos detalhes)
Depois que tudo se acalmou, ele veio falar comigo, não ficou bravo nem nada. Ele agradeceu, perguntou se eu estava emocionada, se era a primeira vez, etc...
Muita gente ainda veio perguntar como tinha sido.
A enfermagem ficou num misto de perplexidade e indignação, mas eu nem ligo.
Nem tive culpa também, né? Quem imaginaria que a evolução dela seria tão rápida?
Ela chegou às 18 e pouco e o bebê nasceu às 20:20h. O comportamento dela não se alterou durante todo este tempo. Sempre serena, sempre forte.
Eu fiquei toda boba, feliz, emocionada!
Quem nunca viveu isso, não tem idéia de como é lindo!
Aquela cabeça macia e quente na sua mão.... girando e saindo sozinha...
É muito... é demais!
Não é o primeiro parto em que eu estou presente, mas foi diferente por vários aspectos.
Principalmente por que eu estava de frente pra eles, sempre vejo da perspectiva da mãe...
V., 42 anos, primigesta. Ela estava com a bolsa rota há mais de 12 horas e bastante ativa, mas o TP dela não engrenava e logo depois do nascimento do bebê da
J., ela foi pra cesárea.
Acho que de alguma maneira o nascimento do
P. contagiou o ambiente e a
AC. finalmente decidiu começar a fazer alguma coisa para se favorecer. Ás 21 e pouco da noite, novo toque: 6cm (dilatou isso tudo sem sair do lugar!! Imagina se tivesse ficado ativa desde o começo??)
Ao mesmo tempo, a mãe deu lugar à sogra e a postura das duas era muito diferente. A mãe da
AC. mal olhava pra ela e a sogra era a energia em pessoa! Logo que eu percebi que a
N. tinha um grande poder de influência sobre ela, chamei-a num canto e pedi pra ela tirar a
AC. da cama, levar pra tomar um banho e aceitar as dicas que a gente ia dando...
Animou um pouco, foi tomar banho, depois ela ficou muito tempo na bola, inclinando o corpo para a frente durante as contrações e dando espaço para ser massageada. No intervalo, ela encostava em mim (largadona!!) e a gente respirava junto, de olhos fechados, no mesmo ritmo.
A
N. de mãos dadas com ela dando a maior força, trazendo água, falando sobre os próprios partos, incentivando, chamando-a de guerreira, que agora sim, ela estava ajudando, etc, etc. Eu AMEI conhecer a
N.!!!
Antes da 1h da manhã, dilatação total. Ela pula para a maca e vamos para o CC. Foi super rápido também, duas ou três forças e lá estava a AB. Não teve epsiotomia e a dequitação da placenta foi ligeira!
Acompanhei o parto da
S. também, mesmo sem ter ficado com ela no TP. Ela veio transferida de outro quarto quando eu estava atendendo a
AC. na fase em que ela realmente se apoderou do processo. Não foi possível dar atenção pra ela, mas dei umas dicas para a mãe e ela tentou massagear e incentivar a
S. a sair da cama, mas ela não quis, respondia de forma bem agressiva desde o começo, mesmo expressando grande incômodo e estando em fase avançada do TP.
No CC ela pareceu mais calma e o parto chegou ao fim rapidamente, sem epsiotomia também!
Patrícia Merlin
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Uma pausa para tratar de um assunto importante!
MULHERES SE ORGANIZAM CONTRA A BANALIZAÇÃO DA CESARIANA
Lançamento de site no Dia Internacional da Mulher é a primeira ação do grupo Parto do Princípio, que reúne 150 mulheres ativistas do parto normal em dez estados brasileiros e se prepara para lançar ONG
No 08 de março, Dia Internacional da Mulher, será lançado o site do grupo Parto do Princípio ¿ Mulheres em Rede pela Maternidade Ativa
www.partodoprincipio.com.br
O site oferecerá informação e ¿apoio de mãe para mãe¿ para gestantes que desejam ter um parto normal, mas enfrentam inúmeros obstáculos no sistema obstétrico brasileiro, que registra altas taxas de cesariana (27% na rede pública e 80% na rede particular de saúde).
O site Parto do Princípio estréia com a apresentação dos trabalhos do grupo e um convite para mulheres de todo o país participarem da ¿rede pela maternidade ativa¿.
Em breve, o site lançará também uma galeria de relatos de partos normais hospitales, domiciliares e cesarianas, textos sobre a importância de se promover a ¿escolha informada¿ da mulher, uma enquete sobre como as mulheres que tiveram partos normais percebem essa experiência. E, claro, muitos artigos escritos pelas próprias integrantes da rede com informação adequada, de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde, sobre gravidez, parto e pós-parto.
Haverá ainda um grande banco de imagens de todos os tipos de partos, uma lista de profissionais humanizados em todo o Brasil, um serviço de apoio online 24 horas, programas educativos de rádio para download, uma seção especial para a imprensa (com pesquisas científicas, sugestões de pauta e imagens de divulgação), textos sobre experiências de sucesso na assistência à gravidez e parto pelo mundo afora, debates entre especialistas, produtos exclusivos da marca Parto do Princípio (camisetas, sacolas, adesivos, cartazes) e uma seção científica com todas as recomendações da Medicina Baseada em Evidências e da Organização Mundial de Saúde.
¿A gente quer oferecer apoio de mãe para mãe para mulheres que estão ou planejam estar grávidas em todo o país¿, diz Ingrid Lotfi, uma das idealizadoras do movimento. ¿Uma de nós estará sempre disponível pra conversar e esclarecer dúvidas pelo site, telefone ou mesmo presencialmente¿, diz Ingrid. ¿A sensibilidade é a chave do nosso projeto¿, diz Andreza, enfermeira de 24 anos, que não tem filhos, mas está participando da rede.
O lançamento do site é a primeira de uma série de ações previstas pelo grupo Parto do Princípio, que já reúne 150 mulheres voluntárias espalhadas em nove estados brasileiros mais o Distrito Federal (SP, RJ, MG, BA, PR, RS, CE, SC, ES, AM, PE), trabalhando diariamente pela Internet.
Por enquanto, a principal meta da rede de mulheres é ser uma ONG para representar ¿a voz das mulheres¿ na luta pela melhoria das condições de atendimento ao parto no país.
Entre as ações previstas estão:
- Promover encontros presenciais gratuitos de apoio e discussão sobre gravidez, parto e pós-parto em todas as cidades onde exista uma representante da rede.
- Articular toda a rede de mulheres para enviar críticas e reclamações para os veículos de comunicação que divulgarem informações equivocadas sobre gravidez e parto.
- Conquistar espaço na mídia para divulgar informação de qualidade, alinhada com as recomendações da Organização Mundial de Saúde, em jornais, revistas, programas femininos na TV, no rádio e na Internet.
- Produzir uma cartilha para divulgação dos benefícios e procedimentos do parto normal e natural.
- Oferecer material de divulgação e realizar palestras com informação de qualidade em comunidades locais (igrejas, empresas, escolas, etc).
- Representar a ¿voz das mulheres que buscam um parto normal e humanizado¿ em eventos de saúde da mulher, saúde infantil e saúde reprodutiva como congressos, conferências médicas, feiras, entre outros.
- Produzir vídeos e programas de rádio educativos para distribuição e veiculação gratuitas em todo o Brasil.
- Produzir campanhas contra o desrespeito e descumprimento dos direitos da mulher nas instituições públicas e particulares.
- Realizar um Congresso Anual para discussão de conquistas e metas das mulheres na luta pela humanização do nascimento e melhoria no atendimento ao parto no Brasil.
- Promover uma comissão política responsável pela elaboração de documentos, manifestos, abaixo-assinados e conquistar espaço para discussão de projetos de lei municipais, estaduais e federais.
- Fazer como as Mães da Plaza de Mayo, andar pelas ruas com cartazes de protesto: ¿Chega de "um acompanhante no máximo!¿, ¿Chega destes índices criminosos de cesárea em hospitais privados!!¿ ou ¿Nós não vamos pagar para nosso marido assistir o nascimento do nosso bebê!"
Patrícia Merlin
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03/01/06
Acompanhamento particular e...
A mulher em questão é paciente do médico do plantão e enfermeira do ps do Hospital Universitário. Ela quis PN desde o início da gestação e ficou interessada no acompanhamento a partir do momento em que soube da minha existência. O problema é que ele falou de mim pra ela muito tarde, quando ela já estava com 38 semanas.
Eu só consegui entrar em contato com ela, quando ela estava prestes a completar 40 semanas e com a cesárea marcada para dali 2 dias e meio. Parece que o bebê apresentou alguma disritmia no coração, coisa que eu pesquisei e soube que não representa nada, passa quando ele nasce.
Falamos pela primeira vez ao telefone no sábado, 28/1. Conversamos um pouco sobre as expectativas dela com relação ao nascimento, sobre a ansiedade natural desta fase, a pressão da família a decisão pela cesárea quando ela completar 40 semanas.
Falei pra ela sobre métodos naturais de indução ao início do TP, sobre formas de tentar relaxar e ela recebeu muito bem as dicas.
Mas como o TP não engrenou, ela fez a cesárea no dia 30/1.
Eu não tive nenhum contato pessoal com ela e nem sei se ela fez qualquer um das coisas que a gente conversou. Fiquei pensando se devia entrar em contato com ela ou não, mas não cheguei a conclusão nenhuma.
... referências.
No dia 03/02, eu não fui no voluntariado e perdi a oportunidade de conhecer a Betinha.
Ela é enfermeira obstétrica há muito tempo e está coordenando uma pesquisa (ou algo parecido com isso) sobre a assistência ao parto (no SUS ou de forma geral, não sei). Fato é que ela entrevista mulheres que pariram na Santa Casa, cerca de 1 mês após o parto, para saber o que elas acharam do atendimento e da experiência de parir.
De uns 3 meses pra cá, meu nome (ou a minha figura) passou a ser mencionado com freqüência pelas mulheres. Referências positivas, pelo que eu soube!
O GO passou meu contato pra ela, mas ainda não nos encontramos.
Patrícia Merlin
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