05/05/06
Levei uma bronca...
Eu ia escrever com detalhes, mas acho que não é preciso expor este tipo de coisa... Logo que eu cheguei, uma acompanhante, nervosa por causa da situação (a filha de 14 anos estava em TP), ficou irritada comigo, por que fui orientá-la a não sentar na cama (não pode, uai!).
Eu fiquei meio chateada, mas depois que tomei fôlego e voltei pro quarto, comecei a trabalhar com a
R. como se nada tivesse acontecido e a mãe dela acabou ficando muito sem graça...
Mesmo com todo apoio e com bastante receptividade dela, o TP não evoluiu enquanto eu estive ali. O bebê nasceu no dia seguinte, de PN.
A
B. estava em TP também e com 5cm quando cheguei. A evolução dela foi rápida. Rebolou na beira da cama, tomou banho, sentou na bola e recebeu massagem. Sentada na bola, de frente pra cama, eu atrás dela (sentada na escadinha), ela respirava concentrada nos intervalos e segurava minha mão com força nas contrações, mantendo o corpo ereto e quicando na bola.
O expulsivo foi super rápido também. O bebê saiu molinho, meio sem reação. O GO cortou o cordão rapidamente e o passou para a pediatra que parecia meio lenta pra atender. O bebê não respondeu de imediato e quem acelerou o atendimento, foi ele. Ficou ali, bombeando oxigênio e falando baixo com a pediatra. Eu tentei tranqüilizar a B., dizendo que nada de ruim estava acontecendo. Mas o fato é que o bebê precisou descer pra UTI. Não sei o que aconteceu depois....
Patrícia Merlin
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29/04/06
NOVIDADE!
Nasceu hoje o Grupo Gesta Maringá!
Começou com um encontro modesto entre eu e três gestantes e segue como um grupo virtual.
É uma lista de discussão sobre gravidez, parto e amamentação, destinada às famílias de Maringá e região.
http://br.groups.yahoo.com/group/gestamga
Os encontros continuam acontecendo. O segundo foi em Londrina.
Não vou falar dele aqui! Foi só pra deixar registrado!
Patrícia Merlin
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28/04/06
Dia intenso...
Mas como hoje já é dia 20 de maio e eu não tinha conseguido escrever ainda, esqueci muitos detalhes.. Que meleca!
Foram quatro nascimentos a partir do momento que eu cheguei e 11 ao longo do dia! É, a maternidade estava animada!
L. estava com 4cm quando chegou na maternidade, passou o TP inteiro chorando muito. Mas o choro não era de dor (não só de dor), era um choro de angústia, de solidão... Ela estava sem acompanhante e pouco acessível. Tentei em vão fazê-la se abrir, fazer com que falasse o que a afligia tanto, que o TP seria mais rápido e tranqüilo se ela conseguisse falar. Pude fazer muito pouco, mas fiquei com ela até o fim.
Depois que o bebê nasceu, o comportamento dela mudou, mas não foi pra melhor. Ela ficou arredia e dava pulos na mesa, fechando a perna, impedindo o GO de suturar uma pequena laceração. Ela estava muito alterada, parecia nem se dar conta de que o bebê já havia nascido. Precisou ser sedada para que a equipe concluísse o atendimento.
De volta ao quarto e já em condições de conversar, ela se abriu: o marido a abandonou quando ela engravidou, alegando que este bebê não era dele. E ela já tinha 2 filhas (gêmeas), com menos de 2 anos... e ela, com menos de 20.
Outra mulher,
L. também, estava na maternidade há dois dias já. Caso típico de internação precoce. Tentaram a indução, mas ela não estava sentindo absolutamente nada. Ao final do dia, optaram pela cesárea e acabaram descobrindo um tumor enorme no útero.
P., grávida do terceiro bebê, os dois primeiros de parto normal, causou estranheza pela lentidão do progresso do TP. No entanto, entre 8cm e o nascimento, não deu nem 15 minutos. Ela demorou pra chegar em 8cm, mas quando chegou, foi a jato!
M., estava com a mãe, internada desde cedo, tomando soro, sem evolução satisfatória (segundo a visão da equipe). Ela e a mãe foram muito receptivas à minha presença e fizeram muitos exercícios juntas. O TP dela evoluiu bem depois disso.
Ela, com dilatação total e com vontade de fazer força, o bebê alto e as posições não ajudando a descida. Ela estava ficando cansada.
O setor estava bem agitado e o médico no CC. Pedi para uma enfermeira vir até o quarto e avaliar o que poderia ser feito. Ela fez um toque e sentiu algo estranho: dilatação total, bebê alto e ...uma coisa muito dura logo após a entrada da vagina... Acreditem! M. tinha o intestino preso e não ia ao banheiro há dias. Tinha um cocozão (desculpem o termo, não sabia como espressar) atrapalhando a descida do bebê!
Uns 15 minutos depois, o GO veio até a sala e removeu o obstáculo (colocando a mão na vagina, como se fosse fazer um toque e pressionando o conteúdo pra fora). Uma vez feito isso, a cabeça do bebê já apareceu e fomos todos para o CC.
Foram 2 PNs com indução, 1 sem soro, os 3 sem epsiotomia e 1 cesárea.
Patrícia Merlin
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PARTO DO PRINCÍPIO!!!
Rede de mulheres faz ação pública pelo parto normal em quatro capitais no Dia das Mães!
No mês em que se comemora o Dia das Mães e a Semana Mundial de Respeito ao Nascimento, a rede Parto do Princípio, que reúne 200 ativistas em 13 estados brasileiros, vai às ruas para homenagear as mães brasileiras e incentivar uma nova forma de gestar, parir e nascer.
A ação coordenada acontece no sábado, dia 13 de maio, em São Paulo (Parque Ibirapuera, das 14:30 às 17h), Rio de Janeiro (Parque dos Patins, das 11 às 14h), Recife (Parque da Jaqueira, às 15:30), Porto Alegre (Parque da Redenção, das 11 às 13h) e Salvador (na passarela que liga a Rodoviária com o Shopping Iguatemi, das 12h às 13:30h), com a participação da Dep. Estadual Lidice da Mata.
As ativistas estarão vestidas com a camiseta da Parto do Princípio e vão dar um presente para as mulheres em homenagem ao Dia das Mães. Haverá também a distribuição de panfletos de incentivo ao parto normal ativo e protesto contra o uso indiscriminado da cesárea no Brasil.
A ação também divulgará o novo site da rede (
www.partodoprincipio.com.br), que reestréia esta semana totalmente reformulado: novo layout, novos artigos (que exploram a fundo a questão da dor do parto), novas seções (notícias, relatos de partos, entre outras) e uma entrevista exclusiva com Renata Dias Gomes, neta de dois gênios da dramaturgia brasileira, Janete Clair e Dias Gomes. Ela fala sobre seu parto natural hospitalar, seu ativismo pró-parto-normal e a vida como roteirista de telenovelas.
O novo site está lançando ainda a Campanha pelo Fim da Taxa do Acompanhante nas Maternidades Particulares, que pretende levar um abaixo-assinado ao Congresso Nacional, pedindo que a Lei do Acompanhante (recém-aprovada para o SUS, garantindo a presença acompanhante no momento do parto) passe a valer também para os hospitais privados, sem custos para a gestante.
A ação pública e o novo site representam a participação antecipada da Parto do Princípio na Semana Mundial de Respeito ao Nascimento, promovida pela ONG francesa AFAR (www.smar.info), que acontece de 15 e 21 de maio, em diversos países da Europa e na Argentina. O objetivo geral do movimento é protestar contra o uso excessivo de intervenções médicas no momento do nascimento, os desnecessários protocolos hospitalares e a industrialização do processo de nascimento.
Informações Complementares:
Desde seu lançamento, em 8 de março, Dia da Mulher, a Parto do Princípio-Mulheres em Rede pela Maternidade Ativa, vem tendo repercussão muito positiva tanto na mídia quanto na sociedade civil. Durante a semana de estréia do site, por exemplo, foram dadas mais de 20 entrevistas para a mídia, o site recebeu mais de 2 mil acessos e o movimento conquistou 50 novas filiações.
Nosso objetivo é oferecer apoio de mulher para mulher, para quem está grávida ou planeja ficar, diz Ingrid Lotfi, uma das idealizadoras do movimento formado por uma rede virtual de mulheres brasileiras, que trabalham diariamente pela internet na divulgação dos benefícios do parto normal ativo.
O próximo passo é registrar o movimento como ONG, o que deve acontecer ainda este ano para que a Parto do Princípio possa ampliar seu papel enquanto canal de informação e apoio às gestantes que desejam ter um parto normal ativo, mas enfrentam os inúmeros obstáculos no sistema obstétrico brasileiro, que registra altas taxas de cesariana (27% na rede pública e 80% na rede particular de saúde).
O movimento prevê ainda uma série de ações de alcance local e nacional. Conheça algumas delas:
-Promover encontros presenciais gratuitos de apoio e discussão sobre gravidez, parto e pós-parto em todas as cidades onde exista uma representante da rede.
-Articular o envio de críticas e reclamações para veículos de comunicação que divulgarem informações equivocadas sobre gravidez e parto.
-Conquistar espaço na mídia para divulgar informação de qualidade sobre gravidez e parto, sempre alinhadas com as recomendações da Organização Mundial de Saúde.
-Produzir uma cartilha para divulgação dos benefícios do parto normal ativo.
-Oferecer material de divulgação e realizar palestras com informação de qualidade em comunidades locais (igrejas, empresas, escolas, etc).
-Representar a voz das mulheres em eventos científicos e sociais de saúde da mulher, saúde infantil e saúde reprodutiva (congressos, conferências médicas, feiras).
-Produzir documentários, vídeos e programas de rádio educativos para distribuição e veiculação gratuitas em todo o Brasil.
-Produzir campanhas contra o desrespeito e descumprimento dos direitos da mulher nas instituições públicas e particulares.
-Realizar um Congresso Anual para discussão de conquistas e metas das mulheres na luta pela humanização do nascimento e melhoria no atendimento ao parto no Brasil.
-Promover uma comissão política responsável pela elaboração de documentos, manifestos, abaixo-assinados e articulação de projetos de lei municipais, estaduais e federais.
Patrícia Merlin
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18/04/06
Um pouco da minha rotina.
Eu chego na Santa Casa, passo na lanchonete e tomo um suco ou como alguma coisa. Depende do horário e da minha fome.
Depois vou para a maternidade, cumprimento o pessoal da equipe, dou uma olhada nos prontuários pra saber como estão as mulheres em TP e vou para a sala.
Apresento-me a todas, explico quem eu sou e o que eu faço ali. Isso só é possível quando elas estão todas em fase latente, ou se conseguem prestar alguma atenção em mim. Em geral, elas ficam aliviadas de saber que alguém vai acompanhá-las durante o processo.
Gosto de conversar um pouco, saber das expectativas, como foram partos anteriores, o quanto elas sabem sobre o que está acontecendo, quais foram as explicações que a equipe do hospital deu pra elas e tal.
Normalmente eu fico com a mulher que está em estágio mais avançado do TP ou com a que está precisando mais (sentindo mais dor), não raro a mais avançada é a mais dolorida...
Aproveito para explicar algumas coisas para as acompanhantes e em geral, elas acabam aceitando as dicas que eu dou e ajudam a parturiente também.
O clima na sala de TP, normamente é tenso. Percebo que com as explicações todos ficam mais tranqüilo, mais participativos. Apesar do momento ser sério e exigir concentração, muitas vezes damos boas risadas juntos, por que é natural que assuntos relativos a vida de todos apareçam. De forma geral, todo mundo consegue perceber o momento certo de calar.
Saio com elas para andar nos corredores, faço exercícios de quadril, agachamento, levo para o banho, aplico massagens, faço elas sentarem na bola e movimentarem o corpo. O que elas quiserem fazer, sempre oferecendo várias alternativas e respeitando o desejo delas também.
Levo uns hidratantes que ajudam a mão a deslizar melhor na pele durante a massagem, uso um relógio para contar as contrações e explicar pra elas a regularidade das dores e o desenrolar do processo, levo livros com fotos de parto e de TPs acompanhados por doulas e mostro para a acompanhante.
Quando chega a hora de ir para o CC, eu ajudo a colocar a mulher na maca, levo-a até a porta do centro cirúrgico junto com a enfermeira e vou me trocar. Para entrar no CC, preciso colocar uma roupa especial, touca, máscara e sapatinho.
Fico ao lado da mesa, falando palavras de encorajamento, segurando a mão da mulher e ajudando-a a erguer a cabeça quando ela sente vontade de fazer força. Nos últimos atendimentos, eu coloquei a almofada triangular pra ajudar a erguer o tronco e me posicionei atrás da mesa.
Depois que o bebê nasce, eu vou explicando o que a equipe da pediatria está fazendo com ele. Ou explico pra ela o que o médico está fazendo com ela: suturando epsiotomia ou laceração, esperando a placenta sair, etc.
Quando o bebê é levado para o berçário, eu saio do centro cirúrgico e vou ver o banho, junto com a família. Nesta hora, todo mundo está preocupado com o bebê, mas sempre lembram de perguntar da mãe, como ela se saiu no parto, se está bem , etc.
Em geral, eu volto para a sala de TP, para acompanhar a próxima mulher.
Quando elas voltam para o quarto, eu vou até elas para saber como estão, como sentiram o processo, etc. Quase 100% das vezes, elas estão bem, estão felizes e agradecem a companhia. Que eu me lembre só teve uma mulher que não estava achando graça nenhuma na experiência que viveu e sequer me olhou depois... Mas eu não acho isso ruim, eu respeito o sentimento delas, por que a experiência do parto é muito forte, não dá pra saber o que vai pela cabeça delas nesta hora....
Às vezes, eu ajudo no atendimento das consultas. Os médicos não devem ficar sozinhos com as mulheres na sala de consulta, então eu fico junto.
Quando está tudo tranqüilo, sem TPs, eu passo nos quartos e vejo se está tudo bem com as mulheres, se elas tem dúvidas sobre a amamentação, se o bebê está bem...
Raramente eu vou embora deixando uma mulher em TP pra trás. Eu costumo ficar até que todos os bebês nasçam e o mais tarde que eu saí de lá, foi 3 horas da manhã.
No caminho de volta (a pé, moro na mesma rua), vou avaliando pontos positivos e negativos, pensando no que vou escrever no blog. E vou sentindo também o cansaço do corpo, costas e braços doloridos, muitas vezes as pernas também.
Quando chego em casa, é minha vez de receber uma massagem....
Patrícia Merlin
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