Matéria
Pediatras e OAB querem licença-maternidade de 180 dias


Simone Magalhães - O Globo Online

RIO - Já pensou ficar 180 dias com seu bebê ao invés dos 120 previstos na
Constituição? A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Ordem dos Advogados
do Brasil (OAB) e a Frente Parlamentar da Criança defendem o projeto de lei
nº281 de 2005, que tramita no Congresso, ampliando o período de afastamento
das mães do trabalho em empresas particulares. Para a ex-coordenadora da
política nacional de aleitamento materno do Ministério da Saúde e atual
coordenadora do centro de referência de bancos de leite humano e aleitamento
materno do Distrito Federal, a pediatra Sônia Salviano, a ampliação da
licença é "extremamente importante".

- Para a mãe é a tranqüilidade de acompanhar e alimentar o filho durante o
tempo em que ele mamar. Para o bebê, além do fortalecimento da relação
mãe-filho, ele conseguirá se alimentar mais calmamente. E ao sugar direto do
seio, obtém um leite rico em anticorpos - explica.

A médica observa que as empresas podem ter restrições a ficar sem a
funcionária durante seis meses, mas há compensações:

- É uma adesão voluntária. E quem aderir terá redução em carga de impostos e
ainda exercerá sua responsabilidade social de forma importantíssima.
A campanha a cada dia ganha mais adeptos: alguns municípios e estados se
anteciparam e já concederam o benefício a funcionárias
públicas

*Licença-maternidade*

Mas, enquanto os seis meses de licença-maternidade não chegam, a mulher
brasileira continua tendo, por lei, o direito de seu afastamento do trabalho
por 120 dias a contar da data do nascimento do bebê. Por motivos de saúde ou
pessoais ela pode deixar o trabalho até 28 dias antes de dar à luz. Os
outros 92 serão gozados depois. Mas a empresa deve ser previamente
notificada.

*Tempo a mais*

Caso a mãe apresente problemas de saúde que a impeçam de voltar ao trabalho
no prazo legal, existe a possibilidade de solicitar uma prorrogação do
benefício por mais 14 dias. É essencial que seja apresentado um atestado
médico, declarando a necessidade das duas semanas a mais.

*Para todas*

A mulher que adota um filho também tem direito à licença-maternidade, com a
permanência em casa variando de acordo com a idade da criança. Por exemplo,
se o bebê adotado tiver até 1 ano a mãe recebe o benefício integral, ou
seja, os 120 dias. Criança na faixa entre 1 e 4 anos dá direito a 60 dias.
Já a adoção de um filho entre 4 e 8 anos permite licença de 30 dias.

*Licença-aleitamento*

Durante a jornada de trabalho, a mulher tem o direito a dois intervalos de
meia hora cada um para amamentação do filho até que ele complete 6 meses.
Mas, se preferir, poderá negociar com seu empregador para que utilize um
único período de uma hora, chegando ao trabalho uma hora depois ou saindo
uma hora antes.

*Licença-paternidade*

O pai tem direito a ficar pertinho do filho recém-nascido por cinco dias -
contados a partir do nascimento do neném. Mas existe a possibilidade de
continuar trabalhando e receber o benefício em dinheiro. A advogada
trabalhista Gilda Elena de Oliveira observa que a troca de licença por
dinheiro, no entanto, contraria a intenção do legislador.

- Esses cinco dias são concedidos ao pai para auxiliar a mãe nos primeiros
dias de vida de seu filho, assim como para que possa providenciar seu
imediato registro de nascimento - observa ela.

*Salário-maternidade*

Conntribuições regulares para o INSS e carteira assinada asseguram o
recebimento do salário integral, durante a licença-maternidade. O benefício
é pago pela Previdência Social, a partir da data do parto. Ele pode ser
antecipado para o oitavo mês da gestação, se houver apresentação de atestado
médico. Em qualquer dos casos, a mulher deve procurar um dos postos da
Previdência Social, apresentando cópia autenticada da certidão de
nascimento. A advogada observa que se houver impossibilidade física de a
mulher ir até o posto da Previdência há outras alternativas.

- Ela pode mandar um procurador munido do devido instrumento de procuração
com firma reconhecida, ou fazer o requerimento pela Internet ( ver página da
Previdência Social - www.mpas.gov.br). Se o nome da mãe adotiva não constar
da certidão de nascimento, ela deve apresentar o termo judicial de guarda à
adotante ou guardiã - explica.

*Auxílio-creche*

O artigo 389 § 1º da CLT determina que os estabelecimentos que tenham, pelo
menos, 30 mulheres empregadas maiores de 16 anos disponibilizem local
apropriado para guarda sob vigilância e amamentação de seus filhos até os 6
meses de idade, facultando que lhes seja disponibilizado o acesso, mediante
convênio, a creches.

- Entretanto, através de portaria do Ministério do Trabalho que veio a
regulamentar a questão, a qual considerou as inúmeras consultas de empresas
nesse particular e a reiterada previsão, em Acordos e Convenções Coletivas
das diversas categorias, do pagamento da parcela denominada "
reembolso-creche" , autorizou a adoção do sistema de reembolso-creche em
substituição ao que estabelece o art. 389§1ºda CLT - comenta Gilda Elena.

O reembolso deverá cobrir, integralmente, as despesas com a creche - de
livre escolha da mãe -, pelo menos até os 6 meses de idade da criança, nas
condições, prazos e valor estipulados em Acordo ou Convenção Coletiva .A
análise e concessão do benefício está condicionada, entre outras exigências,
à comprovação de matrícula e pagamentos das mensalidades pelos pais ou
responsáveis pela criança nas instituições. O benefício será concedido a
toda empregada-mãe independente do número de mulheres que trabalhem no
estabelecimento. Não há valor fixo estabelecido por lei. Muitas empresas
ampliam o benefício até o pré-escolar.

*Grávida e demitida*

Se a funcionária for despedida sem justa causa e descobrir-se grávida, o ato
da demissão poderá ser declarado nulo. Basta a empregada notificar
comprovadamente seu empregador imediatamente após tomar conhecimento de seu
estado. Na hipótese de não haver o cancelamento da rescisão e o retorno ao
emprego, a funcionária deverá constituir, quanto antes, um advogado para o
ajuizamento de Ação Trabalhista.

Patrícia Merlin
Comentários!

Matéria

Doulas humanizam partos em hospital de Santo André

Illenia Negrin - Do Diário do Grande ABC

Uma prática simples e milenar tem melhorado a qualidade dos partos realizados na rede pública de Santo André. Iniciativa pioneira na região, o CHM (Centro Hospitalar Municipal) há quatro anos adotou a figura da doula, voluntária que auxilia mulheres prestes a darem à luz. A palavra, de origem grega, significa serva. Mas as doulas de hoje estão mais para amigas. Ensinam técnicas de respiração, fazem massagens, conversam, tranqüilizam, esclarecem. Cerca de 60 doulas já passaram pelo hospital, que este mês finaliza o curso de preparação para formar mais 52.

Contra a frieza e impessoalidade do atendimento prestado por parte dos médicos e enfermeiros ¿ atolados de consultas e outros procedimentos ¿, as doulas fazem parte do projeto de humanização do CHM. São fundamentais durante o pré-parto, que dura em média 12 horas.

¿Nesse período, as mulheres sofrem com as contrações. E são tomadas pelo medo e pela angústia. As voluntárias ensinam técnicas para aliviar a dor, para achar uma posição mais confortável para futura mãe e para o bebê. As doulas são mulheres como as parturientes, leigas em medicina, usam linguagem comum. Esse apoio é importante para mulher, bastante fragilizada com a proximidade do parto¿, explica a coordenadora da área técnica do Programa de Saúde da Mulher de Santo André, Maria Inês Puccia.

O chefe da maternidade do CHM, Valdemar Bliacheriene, diz que as doulas têm mostrado que o melhor remédio pode ser o afeto. Segurar a mão da parturiente, falar palavras carinhosas, tudo isso induz o parto mais rapidamente e evita que a ansiedade da mãe comprometa o procedimento, explica o obstetra. ¿Ao serviço público, a mulher geralmente chega sozinha para dar à luz. Estão desassistidas. É um momento, sem dúvida, de crise, e a mulher geralmente quer uma outra por perto para ajudar.¿

O trabalho das doulas no sistema público de saúde é novidade no Brasil. No final dos anos 90, um hospital de Belo Horizonte (MG) foi o primeiro a adotar as voluntárias nas salas de pré-parto e também no centro cirúrgico. Cerca de mil atuam em todo o país, segundo estimativas da Ando (Associação Nacional das Doulas). ¿A doula não substitui nem o médico nem o familiar da parturiente. É uma figura solidária, que ajuda na indução de um parto saudável e sem tanto sofrimento. Há milhares de anos as doulas existem. Mas a modernidade e a padronização dos atendimentos engoliram essa prática¿, conta a presidente da entidade, Maria de Lourdes Teixeira, 56 anos, a Fadynha.

A faxineira Aparecida Oliveira, a Cida, 63, é doula no CHM desde que o serviço foi implementado em Santo André. Às quintas-feiras, dedica-se exclusivamente a ajudar as parturientes, das 7h às 16h. ¿A gratificação é enorme. Me emociono todas as vezes. Ajudo, em média, a realizar uns oito partos por dia. Se chega meu horário de ir embora e a criança ainda não nasceu, espero.¿

A rotina da doula Cida é dinâmica. Mas começa sempre do mesmo jeito. Chega ao hospital e escuta as mulheres aos berros na sala de pré-parto. Então, se apresenta como voluntária e ganha a confiança das mamães. ¿Elas seguram forte na minha mão e não largam mais. Pena que só tenho duas.¿

http://setecidades.dgabc.com.br/materia.asp?materia=532466

Patrícia Merlin
Comentários!

06/10/06
Gêmeos

Eu não lembro quando foi, mas foi por estes dias... Acompanhei a cesárea de gêmeos. A mulher não estava em TP, mas já tinha completado 39 semanas, estava prestes a completar 40... Isso por si só, já é uma raridade no SUS.
Todo mundo bem, os bebês nasceram ótimos, com peso de bebê a termo em gestação única. Quase 3 quilos cada um...
Foi muito legal!


Patrícia Merlin
Comentários!

Sobre o Gesta Maringá



Patrícia Merlin
Comentários!

30/09/06
2º Encontro do Grupo Gesta Maringá em Londrina

Eu, Emma e Karen fofocamos um monte, babamos no Loup e eu nem quero saber por que as outras não foram... humpf!
Brincadeira! Uma pena mesmo... Teria sido divertida a reunião dos babies do grupo!


Patrícia Merlin
Comentários!

29/09/06
Eu não to prestando, viu?

Não pude ir hoje, Pedro estava todo empolado. Tive que passar na pediatra e ficar com ele...


Patrícia Merlin
Comentários!

22/09/06
Compensando...

Fui mais cedo pra lá. Não tinha ninguém em TP. Serviu pra encontrar a Renata e falar muito com o GO.
Na hora que eu fui tomar meu lanche, a Lúcia que trabalha na recepção e a quem eu não conhecia, se achegou e perguntou sobre o trabalho, quer acompanhar um dia, ir aos encontros, etc.


Patrícia Merlin
Comentários!

Matéria

Planos de saúde terão de oferecer partos normais

* * * LEMBREM-SE: A PARTO DO PRINCÍPIO ENTREGOU UM DOSSIÊ AO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, ONDE COBRAVA DA ANS MEDIDAS COMO ESTA... FORMIGUINHAS: ANIMEM-SE!!!


ANTÔNIO GOIS
da Folha de S.Paulo, no Rio

A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), que regula os planos privados de saúde, está elaborando uma norma que poderá exigir dos planos que ofereçam em sua rede estrutura para a realização de partos naturais. A informação foi dada ontem pelo gerente da Diretoria de Produto da ANS Afonso Reis em encontro no Rio que debateu formas de estimular o parto natural da rede de saúde suplementar.

Estatísticas divulgadas ontem no evento mostram que o percentual de cesarianas têm crescido nos últimos três anos tanto na rede pública quanto na rede privada. Os dados mostram que é principalmente no setor particular onde o parto natural é menos comum.

"Estamos elaborando uma resolução normativa com novos critérios de inscrição de planos de saúde. Essa norma ainda está em elaboração e deve vir à consulta pública ainda neste ano. Provavelmente, entrará em vigor a partir do ano que vem", diz o gerente.

Ele explica que a ANS espera, com isso, estimular a criação de infra-estrutura nos hospitais particulares para que os médicos e a gestante possam optar pelo parto natural.

"Especialmente no caso de planos com atendimento obstetrício, poderemos pedir que a operadora apresente uma rede de serviços com garantias mínimas de atenção ao parto natural. Isso ajudará a criar condições para que os estabelecimentos passem a fazer mais partos naturais. Muitas vezes, resta ao médico fazer a opção pela cesariana porque o hospital não dispõe dessa infra-estrutura", diz Reis.

Uma das necessidades dos hospitais, por exemplo, são profissionais preparados e com mais tempo disponível para acompanhar o trabalho de parto normal, mais demorado.

Críticas

O Brasil é conhecido por ser um país com altíssimas taxas de cesarianas, tanto que chegou a ser criticado, neste ano, pela Organização Mundial de Saúde por causa do uso indiscriminado desse procedimento, que é mais caro do que o parto natural. Na rede suplementar de saúde, o percentual de cesarianas em 2005 foi de 84,4%. No SUS (Sistema Único de Saúde), esse percentual é de 28,6%. Na Holanda, por exemplo, a cesariana é adotada em 14% dos partos. A Espanha apresenta um percentual de 22% e, os Estados Unidos, de 26%.

Desde 2003, as estatísticas divulgadas pela ANS mostram um crescimento na proporção de cesarianas tanto na rede pública quanto na rede privada.

Kátia Ratto, da área técnica de Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, diz que essa proporção não está diminuindo porque é difícil mudar a cultura de opção pelas cesarianas que existe no Brasil.

Para reverter esse quadro, ela afirma que o ministério tem adotado uma série de medidas nos últimos anos como o aumento de 160%, no caso do SUS, do valor pago por parto natural, além de estratégias de conscientização de médicos e gestantes sobre os benefícios desse procedimento, isonomia nos valores pagos em caso de parto natural ou cesariano e o pagamento de anestesista mesmo em caso de parto natural.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u126937.shtml

Patrícia Merlin
Comentários!

Matéria

FEITO EM CASA


É mais antigo do que andar para a frente e até por isso o parto em casa, hoje em dia, assusta tanta gente. Com toda a segurança, tecnologia e infra-estrutura das maternidades, pode parecer maluquice. Mas quem já fez garante que a experiência é inigualável
POR BIA REIS, MÃE DE TOMÁS

Em vez da sala de parto e o quarto do hospital, o conforto da própria casa. No lugar de médicos e enfermeiras de luvas e aventais, uma parteira. Nada de anestesia, cortes ou procedimentos invasivos, mas, sim, uma experiência mais natural do nascimento. O parto feito em casa, também chamado de domiciliar, causa estranheza, gera medo e parece ser coisa de gente maluca. Porém, essa foi a regra que vigorou durante muitas décadas, até meados dos anos 50, e cada vez mais tem conquistado a mulherada dos dias de hoje. E tem mais: é seguro, a probabilidade de infecção é menor e o vínculo que se estabelece com o bebê é muito maior.

"Hoje respiramos uma cultura hospitalar. Para quem mora nas grandes cidades e vive esta época, ter um parto em casa é inconcebível, é coisa de índio, de bicho", relata a enfermeiraobstetra Vilma Nishi, mãe de Carolina e Luisa. De acordo com ela, as mulheres que se interessam pelo parto em casa têm a característica de serem mais ligadas à natureza e, de alguma forma, procuram realizar o desejo de vivenciar um processo mais natural. "Se engravidamos naturalmente, deve haver um jeito natural também de darmos à luz", diz a parteira.

Na consulta inicial, as parteiras conhecem a história dos pais e seus desejos. O pré-natal continua sendo feito por um médico, que acompanha as condições de saúde da mãe e o desenvolvimento do bebê. Com a parteira, a mulher vive outro tipo de experiência, mais ligada às emoções e sensações. Muitas mulheres descrevem as consultas como uma verdadeira terapia. São conversas, massagens e períodos de reflexão.

As pessoas que defendem o parto em casa acreditam que tanto os pais quanto os bebês são beneficiados. Elas dizem que no hospital os médicos colocam a mãe em uma atitude passiva. "A mulher deve ser protagonista do parto. Em casa, ela tem liberdade para escolher a posição que quer ficar, a música que quer ouvir, o que quer comer. O profissional apenas presta uma assistência", explica a enfermeira-obstetra Marília Largura, de 71 anos, mãe de Paulo, Victor e Sarita.

Marília diz que o primeiro contato do bebê com a equipe médica costuma ser marcado por tensão, nervosismo, excesso de manipulações e verificações. Já em casa, a mãe pode ficar com o filhote durante o tempo que quiser, dar banho, amamentá-lo e curtir os primeiros momentos na tranqüilidade do lar. Outro aspecto positivo, na visão da parteira, é que o parto domiciliar estreita a relação dos pais com as crianças. "Quanto mais partos eu assisto em casa e no hospital, mais eu me convenço de que o lugar mais natural para dar à luz, quando se está sadio, é na própria casa", explica.
As parteiras rejeitam as afirmações de que o parto em casa traz riscos de infecção tanto para a mulher quanto para a criança. "Em casa a mulher está no seu hábitat, com suas próprias bactérias. As chances de infecções são infinitamente menores", argumenta Vilma.

Humanização

Vilma, uma das parteiras mais conhecidas de São Paulo, construiu sua carreira trabalhando durante quase 30 anos em hospitais. Sua vida mudou em 2001, quando conheceu o trabalho de uma parteira alemã, adepta do parto humanizado. Desde então, Vilma dá assistência às mulheres que têm o sonho de dar à luz em sua própria casa, como fez Claudia d'Orey, mãe de Valentina, 1 ano e 4 meses.

Claudia conheceu a parteira quando estava no quinto mês de gravidez. Ela já havia procurado 15 médicos e não tinha se identificado com nenhum deles. "Me encantei com a Vilma logo na primeira consulta. Em vez dos exames tradicionais, ela fez massagens, conversou muito comigo, me deixou confiante", descreve a musicista, que, até então, não sabia da possibilidade de dar à luz em casa.

Os quatro meses seguintes foram recheados de consultas, informações sobre o parto e o pós-parto, além das massagens. "Estabelecemos um vínculo muito forte nesse período", conta Claudia. E, assim que sua bolsa estourou, por volta da 1 hora da madrugada, ela logo ligou para Vilma. A parteira seguiu para a sua casa conforme o combinado. Ao contrário do que muita gente imagina, a casa não precisa ser adaptada para que a mulher dê à luz. As parteiras costumam levar apenas um equipamento para acompanhar a freqüência cardíaca do bebê, tesoura para cortar o cordão umbilical, gaze e algodão. Toalhas e lençóis, por exemplo, não precisam ser esterilizados, já que nenhuma intervenção cirúrgica é feita.

Valentina nasceu perto das 10 horas da manhã. Durante o trabalho de parto, Vilma conversou com Claudia, fez massagens e, nos momentos de dor, passou segurança e tranqüilidade. Como acontece nos partos realizados em casa, a mãe não recebeu nenhum tipo de anestesia nem sofreu procedimentos invasivos. Durante o trabalho de parto, as parteiras indicam posições mais confortáveis, mas deixam a mãe à vontade para decidir onde e como quer ficar. "Nós transmitimos segurança e calma para que a mãe faça o seu papel", acredita Vilma.

"A Vilma ficou invisível na hora do parto. Ela dizia que era um momento meu, muito íntimo. Entrei em outra sintonia. Uma hora, na sala, fiquei de cócoras e a cabeça do bebê saiu. Em seguida, me deitei no chão e a Valentina nasceu", conta Claudia. Acompanhada por duas amigas, tudo correu muito bem, mas ela diz que sentiu muita, mas muita dor. E quanto aos preparativos, a coisa não saiu exatamente do jeito que imaginou. Ela havia comprado velas, incenso, escolhido músicas para o momento. "Tinha uma fantasia de como seria, mas na hora foi tudo mais visceral e a dor é muito grande", conta.

Valentina nasceu e foi para o colo da mãe. A musicista ficou o tempo que quis com ela, ainda ligada pelo cordão umbilical. Só depois é que o bebê foi pesado e medido. Claudia amamentou a filha, e Vilma só foi embora quando a mãe já se sentia segura. Depois, voltou nas duas semanas seguintes, quase que diariamente. Com o tempo, as consultas foram se tornando mais distantes.

Hoje, Claudia enxerga seu parto como um ritual e afirma ter saído fortalecida da experiência. "Existe um mito em torno do parto, mas ele pode ser muito mais simples do que a gente imagina. E tem mais: é uma experiência única, inigualável. Não vou dizer que não senti dor, senti, e muita, mas a recompensa, a sensação depois, é boa demais", conta.

Barreiras

Mas não são todas as mulheres que, mesmo após conhecer a parteira e se identificarem com o trabalho, têm o filho em casa. Muitas vezes elas sofrem críticas de familiares e amigos, e acabam sendo desestimuladas. "Na verdade, não culpo a família nem os amigos pelas desistências. O parto sempre foi e continua sendo um momento de insegurança para a mulher", relata Marília, que nasceu de parto em casa e auxiliou sua filha a ter os três netos também na residência.

A enfermeira-obstetra conta que a sociedade é tão preconceituosa que há casos de vizinhos que chamam a polícia quando a mãe decide ter o filho em casa. "O mundo ficou muito neurótico", afirma Marília. Quem critica o parto domiciliar afirma que, em caso de emergência, tanto a mãe quanto o bebê ficam desamparados. Mas, de acordo com Vilma, ao primeiro sinal de que algo pode dar errado, a mulher e o recém-nascido são levados rapidamente para um hospital próximo.

A jornalista Joanna Savaglia, mãe de Rodrigo e Marina, enfrentou de perto o preconceito. Quando estava grávida da Marina, foi atrás de informações sobre parto em casa. Ela conta que no parto do Rodrigo não estava bem-informada sobre as possibilidades e acabou fazendo no hospital.

No sétimo mês de gravidez, Joanna decidiu ter Marina em casa. "Meu marido era contra, mas estava fácil de convencê-lo." A situação mudou quando a jornalista contou para colegas de trabalho que iria ter a filha na própria residência. "Elas me acharam maluca. Minha chefe telefonou para o meu marido e disse que era uma doideira o que eu queria fazer", relata.

O pai ficou inseguro e, como Joanna queria tê-lo ao seu lado na hora do parto, optou pelo hospital. No entanto, procurou um meio-termo. O parto foi realizado em um hospital, mas com uma parteira. Mas o sonho de dar à luz em casa ainda não foi abandonado: "Quem sabe eu não tenho um terceiro filho?", termina.

CONSULTORIA
Dr. Luiz Fernando Pereira Leite, obstetra.Tel. (11) 5573-9987.
Marília Largura, enfermeira-obstetra. Tel. (61) 3233-9389.
Vilma Nishi, enfermeira-obstetra. Tel. (11) 8141-4653.


Fonte: Revista Pais e Filhos


Patrícia Merlin
Comentários!

Matéria

PESQUISA DESMENTE RISCO EM PARTO NORMAL APÓS CESARIANA


"Estudo demonstra que, ao contrário, parto normal evitou complicações
respiratórios nos bebês"

Botucatu (SP) - Um estudo retrospectivo realizado por pesquisadores da
Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de
Botucatu, questionou o mito bastante difundido de que a mulher que se
submetia a uma cesariana não poderia mais optar pelo parto normal.

"A suspeita era de que após uma cesariana, a mulher que fizesse o parto
normal poderia, junto com o filho, correr risco de morte devido ao
rompimento do útero", conta a docente e obstetra Iracema de Mattos Paranhos
Calderon, orientadora do trabalho de mestrado da pós-graduanda Jacqueline
Leite Frade.

Evitou complicações
Em uma ampla amostragem de prova de trabalho de parto (PTP), espontânea ou
induzida, envolvendo 438 gestantes submetidas a uma cesárea anterior e seus
450 recém-nascidos atendidos no Hospital de Clínicas da FM, de 1996 a 1998,
59,2% destes casos não registraram morbimortalidade materna e perinatal.

Pelo contrário, ela evitou complicações respiratórias neonatais.

Já entre as mulheres que foram submetidas a cesariana, sem a tentativa de
parto vaginal, as ocorrências duplicaram em relação ao parto normal.

Campeão de cesarianas
O mito pode ter colaborado para o crescimento do número de cesáreas no
Brasil. Em 1966, a porcentagem deste tipo de cirurgia era de 14,6% do total,
chegando a 31%, em 1997, número bem acima do índice ideal de 15% recomendado
pela Organização Mundial da Saúde.

"Mesmo sendo de risco de até dez vezes maior, tanto para o bebê quanto para
a mãe, até 2000 o Brasil era considerado o campeão mundial de cesariana",
acrescenta Iracema.

Depois de uma campanha promovida pelo Ministério da Saúde, em 1998, que
incluiu pagar menos por este tipo de parto ao hospital e ao médico,
estabelecendo o limite de 40% de cesáreas para pagamento, a taxa de cesáreas
realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2003 caiu para próximo de
25%.


Gestantes despreparadas
Os fatores envolvidos na epidemia de cesárea no Brasil estão na facilidade
de programação do parto e diminuição da tensão e da dor das contrações.

"Numa gravidez de baixo risco, o ideal seria esperar pelo trabalho de parto
espontâneo até 41 semanas depois da data da última menstruação, mas isto
implica em aumento de tensão, preocupação da gestante e dos familiares,
resultando em pressão sobre a equipe médica", salienta.

"Estes fatores, certamente contribuem para a medicalização do parto. Além
disso, muitas gestantes não estão preparadas para suportar a contração e a
dilatação durante o trabalho de parto", acrescenta Iracema.

Programa de preparação
A ansiedade da gestante neste período também teve um peso para a indicação
da cesárea. Foi o que constatou uma outra pesquisa realizada pela
pós-graduanda do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da FM, Elenice
Consonni.

Ela comparou dois grupos de gestantes. Das que participaram de um programa
de preparação, 81% fizeram o parto vaginal. Já entre aquelas que não
participaram desta preparação, o número caiu para 59%.

"Baseados nestas pesquisas, passamos a investir muito mais no parto normal",
concluiu Iracema.

Fonte: Agência Unesp de Notícias


Patrícia Merlin
Comentários!

18/09/06
Hospital Universitário

Fui até o Hospital Universitário com o Caco e enquanto ele resolvia as coisas dele, eu dei uma passada na maternidade.
Já sabia que eles haviam montado uma sala de TP com alguns materiais, mas fui checar...
Tem bolas, banquinho de parto, barras nas paredes (pra apoio), umas cadeiras confortáveis, um cavalinho, frases de incentivo na parede, o cartaz do humanization.org, blá, blá, blá.
Aí, conversando com a auxiliar que me atendeu, descobri que usam pouco a sala, por que as mulheres (não vou repetir o termo que ela usou), não gostam muito, preferem ficar no leito...
Eu: hum... mas alguém as incentiva a ficar aqui? (ah, elas ficam com acompanhante,né?).
E tem mais: o HU atende só 4 postos de saúde, a Santa Casa é que atende os outros 16...
Sei... Então por que não mandam essa parafernália pra lá???

Como diz a Schiros: ai, meus sais!

Patrícia Merlin
Comentários!



O que significa "doula"?

A palavra "doula" vem do grego e significa "mulher que serve". Nos dias de hoje, aplica-se às mulheres que dão suporte físico e emocional à outras mulheres durante a gestação, no trabalho de parto e parto e na amamentação.



Como é o trabalho da doula?
Durante a gestação a doula orienta o casal sobre o que esperar do parto e pós-parto. Explica os procedimentos comuns e ajuda a mulher a se preparar, física e emocionalmente para o parto, das mais variadas formas. Durante o parto a doula funciona como uma interface entre a equipe de atendimento e o casal. Ela explica os complicados termos médicos e os procedimentos hospitalares e atenua a eventual frieza da equipe de atendimento num dos momentos mais vulneráveis de sua vida. Ela ajuda a parturiente a encontrar posições mais confortáveis para o trabalho de parto e parto, mostra formas eficientes de respiração e propõe medidas naturais que podem aliviar as dores, como banhos, massagens, relaxamento, etc.. Após o parto ela faz visitas à nova família, oferecendo apoio especialmente em relação à amamentação e cuidados com o bebê.

Vantagens
As pesquisas têm mostrado que a atuação da doula no parto pode:
diminuir em 50% as taxas de cesárea
diminuir em 20% a duração do trabalho de parto
diminuir em 60% os pedidos de anestesia
diminuir em 40% o uso da oxitocina
diminuir em 40% o uso de fórceps.

Embora esses números refiram-se a pesquisas no exterior, é muito provável que os números aqui sejam tão favoráveis quanto os acima mostrados.

Saiba Mais:
Doulas do Brasil
ANDO
Amigas do Parto
GAMA
Mulheres de Peito - blog
Parto do Princípio
Parto Humanizado - blog
Parto Humanizado - Site
Rehuna

Fale com esta Doula!
Clique aqui!

Arquivos
Clique aqui