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Robô simulador de partos ajuda estudantes na Coréia do Sul
http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1319323-EI238,00.html
E quando as taxas de natalidade eram altas? Será que se preocupavam em proporcionar um atendimento bacana?
As próprias mulheres têm muito mais a ensinar aos doutores do que um robô sem vida, sem emoção, sem história... tsc.
Patrícia Merlin
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A maioria das brasileiras quer um parto normal, mas não sustenta esse desejo
por falta de esclarecimentos, que leva ao medo, e desestímulo do médico.
Informar-se é a melhor saída
Um mistério ronda os partos no Brasil. Nossos índices de cesariana estão
entre os mais altos do mundo- chegam a 80% nas maternidades particulares. Só
que oito em cada dez brasileiras afirmam que querem ter um parto normal,
segundo pesquisas realizadas no país - uma delas coordenada pelo Núcleo de
Estudos Populacionais da Universidade de Campinas, Unicamp, outra pela
Universidade do Texas, ambas publicadas no British Medical Journal. O que
acontece, então, entre o desejo e a realidade? Por que apenas 20% das
mulheres conseguem realizar o sonho do parto natural? Esta equação envolve
inúmeros fatores: a desinformação, o medo da dor, as crendices como ficar
com a vagina larga, além do modismo, a idéia de que a cesárea representa um
atendimento de melhor qualidade, já que é o recurso preferido das classes
mais abastadas. Outra questão decisiva para o desfecho do parto acabar em
cesárea está nas mãos dos médicos. Os obstetras estariam valorizando as
ansiedades das grávidas em proveito próprio, por comodidade ou vantagens
financeiras. 'O modelo de saúde é que é equivocado e reforça a cultura do
medo', defende o obstetra Jorge Kuhn, professor da Universidade Federal de
São Paulo. 'A falta de conhecimento da mulher sobre o parto alia-se aos
interesses econômicos da classe médica para formar a combinação perversa que
empurra as gestantes para as cesáreas desnecessárias.' Vale lembrar que nos
outros países, mesmo os europeus onde a tradição do parto natural é forte,
registra-se um significativo aumento da ocorrência de cesarianas (veja boxe
ao lado). A explicação para o fenômeno está na 'evolução da técnica'. Hoje o
parto abdominal envolve menos riscos, é uma cirurgia mais segura do que há
alguns anos, embora, claro, continue perdendo nesse quesito para a opção
natural.
*O bolso do médico
*Apenas 20% das mulheres conseguem realizar o desejo de ter um parto
normal*
O sistema de saúde brasileiro atende a mulher diretamente na rede pública e,
por meio de convênios, nos hospitais particulares. No SUS, o médico recebe
mais por uma cesárea (R$ 387,30) do que por um parto normal (R$ 263,49). Nos
convênios, a lógica é a mesma (até R$ 600 o parto normal e até R$ 1 mil a
cesárea). 'A tendência é que os convênios paguem aos médicos o mesmo valor
para as duas modalidades', afirma o presidente da Associação Brasileira de
Medicina de Grupo, Arlindo de Almeida. A diferença, que já foi bem maior nos
planos de saúde, em favor do parto cirúrgico, terminou reduzida como forma
de coibir as cesáreas desnecessárias. Com esse mesmo objetivo, em 1998, o
governo limitou o pagamento dos partos cirúrgicos e passou a recomendar o
uso da anestesia em partos naturais na rede pública. 'Com isso, a situação
no SUS melhorou, e a taxa de cesáreas caiu de 36%, em 1996, para 25%, em
2003, mas ainda está longe de atingir os níveis recomendados pela
Organização Mundial de Saúde (OMS), de apenas 15%', diz a técnica da área de
Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, Isa Paula Abreu. 'Os médicos, de
forma geral, perderam a noção de respeitar o ritmo da mulher no trabalho de
parto, priorizando suas conveniências.' O governo prevê que a recomendação
da OMS seja atingida em 2007.
Se o médico ganha mais pela cesárea que ocupa uma hora de sua agenda, por
que optaria pelo parto normal que pode demorar mais de dez? Falta dar
solução ao bolso dos profissionais. Uma saída seria pagar melhor pelo parto
normal e cercar a mulher da assistência de outros profissionais. 'Na
Alemanha, o profissional que atende a gestante no pré-natal não é o mesmo
que faz o parto. Ambos ganham bem e um não precisa fazer a atividade do
outro para complementar a renda. Isso significa que o obstetra tem todo o
tempo disponível para acompanhar o parto normal', explica Jorge Kuhn. Aqui,
uma queixa freqüente dos médicos apontada pela pesquisa da Unicamp é a falta
de apoio de uma enfermeira obstétrica para observar o trabalho de parto e
acioná-los apenas pouco antes do nascimento. O despreparo dos profissionais
e o medo de processos legais também têm levado muitos médicos a preferir a
cesárea, na avaliação do secretário da comissão de assistência ao parto da
Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Eduardo de
Souza. 'A cesárea raramente apresenta complicações quando realizada em bons
hospitais e com uma boa equipe', afirma.
*Incentivos
Daniela faz curso de ioga para gestantes e espera que as técnicas de
respiração e relaxamento ajudem no parto normal
Aqui no Brasil, outro fator que faz toda a diferença é a cultura que cerca a
mulher e o parto. 'Na Holanda, as revistas e os livros para gestantes não
mencionam quase nada acerca da cesariana e explicam passo a passo o que
acontece num parto natural', conta a escritora Jussara Machado, que mora no
país há três anos, está grávida, e deve ter o bebê até o final do mês. O
parto na Holanda, seja ele domiciliar, em casa de parto ou no hospital, é
quase sempre acompanhado pelo marido. 'Proliferam cursos chamados 'samen
bevalling' (parir junto), em que pai e mãe aprendem técnicas para se
ajudarem e há uma infinidade de CDs com músicas para relaxamento e óleos de
massagem. A holandesa busca nesse dia um momento inesquecível, especial e o
menos frio possível.'
Perguntar a uma grávida se ela fará parto normal ou cesárea é descabido na
Dinamarca. A cantora Maria Luiza Lins Brzezinski, que mora no país há dois
anos, passou pela experiência. 'Vinha sempre aquele olhar de 'desculpa, não
entendi', seguido da resposta parto normal com um ar de obviedade, como se
eu tivesse perguntado se ela precisava fazer xixi todos os dias', conta.
Essa comparação não é exagero. A dinamarquesa realmente aceita o parto
normal com total naturalidade. Sabe que vai doer, vai passar e tudo ficará
bem, porque suas mães e avós passaram pela mesma experiência. Também sabe
que os obstetras são caros para o Estado e tudo será feito no parto para que
eles não sejam necessários.
*Sementes do medo
*O médico aprende cada vez menos sobre o parto natural na universidade. A
cesárea é mais segura para ele*
Entre as brasileiras, o desejo por um parto normal, como anunciado nas
pesquisas, parece não ter a mesma força. Acaba bombardeado pela
desinformação que gera inseguranças, falta de preparação para o parto e
medos incutidos até pela Bíblia. 'No Velho Testamento, Deus expulsa Adão e
Eva do Paraíso, dizendo-lhes, entre outras coisas, que a mulher pariria com
dor, um castigo para o pecado original', diz Abner Lobão Neto, coordenador
do Pré-natal Personalizado da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Ele lembra ainda que basta ligar a TV ou ir ao cinema para ver como o parto
é retratado com sofrimento. 'Acontece o mesmo na literatura e nas histórias
de mulheres mais velhas na família. Como sobrevive assim o desejo por um
parto normal?', pergunta o especialista, ressaltando que nessa direção falta
apoio dos médicos. 'Eles têm pressa em resolver o parto com a cesárea
porque, cada vez mais, recebem menos informação nas universidades sobre como
conduzir adequadamente um nascimento vaginal. Ficam inseguros.'
Danielle carregava a mala da maternidade na ponte aérea Rio-São Paulo até
entrar em trabalho de parto
A Federação dos Obstetras defende a classe: tem como norma valorizar o parto
natural como a melhor opção para a gestante e para a criança, mas reconhece
que a cesárea 'constitui importante conquista da obstetrícia moderna'. Em
artigo recente publicado na revista da Febrasgo, foi Marcelo Zugaib,
professor titular da Faculdade de Obstetrícia da Universidade de São Paulo,
quem melhor explicou a visão de boa parte dos médicos. Afirmou que 'não vê
problemas quando o obstetra opta por realizar apenas parto cesáreo, desde
que a paciente seja informada no início do atendimento'. Para Zugaib, o
grande erro é o médico usar da sua conveniência para convencer a gestante a
optar por uma ou outra via de parto. No artigo, ele chega a classificar como
'marginal' quem age desse modo. 'Qualquer procedimento estará dentro da
ética se houver o total esclarecimento por parte do médico para com a sua
paciente sobre as vantagens e desvantagens de cada parto, caso não haja uma
indicação puramente médica por uma ou outra via', sustenta.
*A gestante de melhor nível social opta pela cesárea e se torna exemplo
para a de classe mais baixa*
O problema, como observa o obstetra Jorge Kuhn, é que nem todos os médicos
agem de maneira tão transparente. 'Preferem um caminho mais sutil, com
frases que soam como ameaças veladas a complicações no parto, como 'humm...
tá meio grandinho esse bebê', ou 'parece que sua bacia é estreita demais'.
Sem contar as alegações para as quais a mãe, leiga, não tem argumentos:
cordão umbilical enrolado, pouco líquido, ou, 'olha, acho que não vai
dilatar muito mais do que isso nas próximas horas'.' Nesse momento, lembra a
parteira Ana Cristina Duarte, que participa da Amigas do Parto, uma ONG que
defende o parto normal, a cultura do medo favorece quem detém o poder. 'A
gestante, com suas ansiedades normais, mas em geral sem preparo adequado,
passa o controle da situação para o médico', afirma.
*Planos frustrados
Melissa, com a filha Maria Clara. O desejo por um parto normal deu lugar
a um parto cirúrgico na última hora
O caso de Melissa Donato Guimarães, 28 anos, ilustra a situação. Ela queria
o parto normal, mas no final optou pela cesárea. 'Fui ficando dividida com
os comentários de amigas que achavam a cesárea uma maravilha, porque você
marca a hora e não sente dor com as contrações.' E também tinha os seus
receios. Incomodava-a a idéia de que o bebê 'ficasse entalado no meio do
caminho'. Por outro lado, o parto normal a atraía pela recuperação mais
rápida e menos dolorida. A gravidez avançava e com freqüência ela trocava
figurinhas com outras gestantes. 'Quase sempre a resposta era cesárea. E me
questionava: 'Quem sou eu querendo fazer diferente de todo mundo?' Na
penúltima consulta antes da data prevista para o nascimento, terminou o
impasse. 'O médico garantiu que estava tudo bem, mas que ainda seria preciso
esperar o bebê descer. Eu teria de superar a ansiedade e suportar os
inevitáveis desconfortos de final da gestação. Mas havia a cesárea. Resolvi
por ela, feita dois dias depois', conta. Melissa está radiante com seu bebê,
Maria Clara, lamenta não ter esperado o parto normal, mas assegura que o que
sente não é arrependimento. 'Tive fortes dores no corte. Acho que não tive
muita sorte com a cesárea.'
*Informação e apoio do médico ajudam a driblar os fantasmas que ameaçam o
parto natural*
Com a comissária de bordo Danielle Carreiro aconteceu o inverso. 'Eu tinha
verdadeiro pavor de parto normal', conta. Vivendo entre Rio e São Paulo,
passou a consultar-se com dois médicos, um em cada cidade. No Rio, procurou
um profissional que a conhecia havia tempos e que respondeu aos seus temores
com a promessa de uma cesárea. Em São Paulo, quase foi embora do consultório
ao descobrir que o doutor era favorável ao parto natural. 'Como era
atencioso, fiquei com ele, apostando que, no limite, embarcaria para o Rio
no final para fazer a cesárea.' Com o tempo, Danielle foi confiando na
conversa do médico paulistano, que lhe mostrava as vantagens de ter um parto
normal. 'O medo parecia mais distante, mas na hora entrei em pânico. Cheguei
a me esconder no banheiro da maternidade, dizendo para meu marido que seria
melhor pegar um táxi e ir para o Rio fazer a cesárea', lembra. Depois de
muita conversa, foi levada para o quarto e relaxou. Passou a tarde
conversando com o médico e com o marido. 'Eles me apoiaram durante as 14
horas de trabalho de parto e levei as contrações numa boa. Se eu soubesse
que era só isso, não teria sofrido tanto antes', afirma.
*Com preparo
É fundamental o médico informar a mulher sobre as várias possibilidades de
combater a dor no parto. 'É a melhor forma de acabar com os fantasmas que
desestimulam o parto natural', diz o obstetra Luiz Camano, da Maternidade
Pró-Matre, em São Paulo. Ele faz um alerta às gestantes que decidem pela
cesárea acreditando que sofrerão menos: 'A recuperação pós-parto é quase
sempre mais difícil'. Além da boa orientação médica, cursos de preparação
para o parto costumam dar boas dicas para gestantes mais aflitas, como se
define a assessora de comunicação Daniela Oliveira. Foi numa dessas aulas
que ela descobriu a ioga para grávidas. 'Estou apostando que esta preparação
vai me ajudar a amenizar a dor nas contrações e facilitar a expulsão do
bebê', anima-se Daniela. Sua professora de ioga - e também doula -, Renata
Albuquerque, garante que é possível. 'Alivia a dor, por exemplo, a gestante
levantar e caminhar durante as contrações', explica. Daniela está decidida a
tentar um parto normal. 'Quero sentir o bebê saindo de mim', afirma. Quando
uma mulher de classe média opta pelo parto natural, como Daniela, ou pela
cesárea, como Melissa, influencia a decisão de muitas outras. Uma pesquisa
realizada em Pelotas, no Rio Grande do Sul, com 5.304 gestantes mostrou que
as mulheres com renda familiar maior e nível de educação superior
normalmente são submetidas mais às cesáreas do que o restante da população.
'Esse é um dos motivos que levam as gestantes das classes menos favorecidas
a desejar o procedimento', explica Fernando Barros, consultor do Centro
Latino-Americano de Perinatalogia, ligado à OMS. 'Elas acreditam que a
cesariana representa um atendimento de melhor qualidade.' Como se vê, a moda
pega...
*O parto no mundo*
Os índices de cesárea crescem na Europa, onde tradicionalmente sempre foram
baixos. Ainda assim, estão em 20%, bem abaixo dos brasileiros, de 35%. Veja
como o parto é realizado em alguns países:
*Estados Unidos e Canadá*
*Os índices:* Em 2002, os EUA registraram uma taxa recorde de cesáreas:
26,1% - 7% mais que em 2001. No Canadá, o aumento foi semelhante. Na década
de 70, a taxa de cesáreas era de 6%.
*Como é o parto:* Nos EUA, 97% dos partos são realizados em hospitais.
As parteiras assistem 7% dos nascimentos. Os partos domiciliares
e em casas de parto são minoria, ou seja, representam 2% do total.
*Inglaterra*
*Os índices:* A taxa de partos cirúrgicos cresceu de 21,5% para 22% entre
2000 e 2002, de acordo com o Departamento Nacional de Estatísticas. Em 1970
o número era 4% e, em 1999, ultrapassou o máximo recomendado pela OMS.
*Como é o parto:* No sistema público inglês são as parteiras que assistem
os partos normais, nos hospitais, sem a presença de obstetra e pediatra.
Os obstetras só entram em cena nos partos que necessitam de fórceps e quando
há indicação médica para cesárea. Em média, apenas um terço do total de
mulheres recebe anestesia.
*Holanda*
*Os índices:* Cesáreas ocorrem em 8% a 10% dos nascimentos.
*Como é o parto:* Parteiras e médicos assistem os nascimentos na mesma
proporção. A taxa de partos feitos em casa é de 35%. A anestesia peridural
só é aplicada em cesarianas.
http://revistacrescer.globo.com/Crescer/0,19125,EFC692779-2213-1,00.html
Patrícia Merlin
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20/10/06
Noites inspiradoras... Ás vezes acontecem...
S., 17 anos, chegou depois de quase duas horas do início do plantão, numa noite muito calma e eu estava quase indo embora...
Acompanhada da mãe, ela estava um pouco assustada, tensa, mas já na sala de espera (pela consulta), fui massageando os pés dela e puxando papo. Logo ela estava mais solta e entendendo melhor as reações do corpo.
Mesmo antes de falarem em internação, levei-a para a sala de TP, por que no ritmo em que ela estava, era claro que se tratava de TP mesmo.
Tive tempo de falar com ela sobre as mudanças de comportamento, sobre o tempo do TP, sobre o que era esperado e normal naquele momento.
O TP dela foi quase didático. Um ótimo exemplo. Toda feliz e falante no início, foi ficando cada vez mais concentrada e um pouco irritadiça, procurando melhores posições, relaxando nos banhos e respirando no tempo dela... Olhar vazio na transição, ânsia de vômito, vontade de sair correndo dali. Então a vontade de fazer cocô, de empurrar, fazer força e a cabeça do bebê já aparecendo na vulva.
Ela foi encaminhada pro CC e o bebeu em três contrações, sem epsiotomia e com uma pequena laceração. Logo após o nascimento da
L., um enorme sorriso nos lábios...
Nesta noite também aconteceu um encontro inusitado nos corredores. Uma mulher vem na minha direção, toda sorridente:
-Você está aqui! Que bom te ver! Pena que não deu tempo...
Eu devo ter feito cara de quem não estava entendendo e ela disse:
-Não lembra de mim, né?
Isso na verdade é bem comum, não consigo guardar todos os rostos que passam por ali. Mas ela explica.... Há exatos 9 meses, ela esteve na maternidade com a filha mais nova e eu estava no TP dela. Agora ela estava com a filha mais velha e me diz que passaram a gestação toda pedindo que o bebê nascesse numa sexta-feira, por que é o dia que eu estou lá... Pois o bebê atendeu o pedido delas, só que elas esqueceram de dizer que eu só estaria lá após as 18h e ele nasceu ao meio dia!
Patrícia Merlin
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Maternidade de Londrina ganha prêmio do Ministério da Saúde
Maternidade Municipal Lucilla Ballalai receberá R$ 50 mil
Quatro instituições do Sistema Único de Saúde (SUS) vão receber o V Prêmio Professor Galba de Araújo, concedido pelo Ministério da Saúde. Criado em 1998 para destacar a humanização da assistência obstétrica e neonatal e o estímulo ao parto normal e ao aleitamento materno, o prêmio será entregue, no dia 7 de dezembro, na abertura do seminário nacional sobre o Panorama Atual da Saúde da Mulher: avanços e perspectivas, a ser realizado no Carlton Hotel, em Brasília.
A quinta edição do prêmio será entregue à Maternidade do Hospital Regional Dom Moura, de Garanhuns (PE), ao Hospital Santa Marcelina, de São Paulo (SP), à Maternidade Maria Barbosa do Hospital Universitário Clemente de Faria, de Montes Claros (MG), e à Maternidade Municipal Lucilla Ballalai, de Londrina (PR). As maternidades de Pernambuco e do Paraná receberão R$ 50 mil, cada, enquanto as instituições de São Paulo e de Minas Gerais vão dividir o valor, já que obtiveram a mesma pontuação na avaliação a que foram submetidas.
Todas as maternidades que concorreram ao V Prêmio Professor Galba de Araújo apresentavam os mesmos requisitos: tinham taxa média mensal de cesáreas, no segundo semestre do ano passado igual ou inferior à estabelecida para a maternidade pelo Estado; têm Comissão de Controle de Infecção Hospitalar; permitem a realização de parto de baixo risco por enfermeiro e permitem acompanhante no pré-parto, no parto e no pós-parto. As vencedoras sobressaíram-se pela qualidade do atendimento, organização institucional e satisfação das usuárias.
A seleção inicial das instituições concorrentes foi feita por comissões criadas pelas secretarias estaduais de Saúde. A avaliação ficou a cargo da Comissão Nacional do Prêmio, com representação do Ministério da Saúde, da Comissão Intersetorial de Saúde da Mulher (Cismu), da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiras Obstetras (Abenfo), da Rede Nacional pela Humanização do Nascimento (Rehuna) e da Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos.
O prêmio reverencia a memória do obstetra Galba de Araújo, que conquistou destaque nacional e internacional por utilizar recursos humanos disponíveis regionalmente no atendimento às gestantes. Foram exemplos disso o incentivo ao treinamento de parteiras, a busca pela melhoria da qualidade de assistência ao parto domiciliar e a identificação das gestantes de alto risco.
A iniciativa do Ministério da Saúde de conceder o prêmio procura revelar ao Brasil experiências inovadoras na gestão pública que privilegiem o acolhimento da gestante e do recém-nascido na hora do parto e estimular as maternidades a tratar os pacientes com mais respeito e dignidade.
http://www.jornaldoestado.com.br/index.php?VjFSQ1VtUXlWa1pqU0ZKUFVrZDRVVlpyVm5OT2JGRjRWRzFHYVZKclNsWlZiR2gzVkd4V1ZVMUVhejA9
Patrícia Merlin
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13/10/06
Super bebê.
J. não era mãe de primeira viagem. O TP foi tranqüilo, com bolsa rota e bebê monitorado de vez em quando. Ela sentou na bola, tomou banho, recebeu ajuda de uma amiga que fez companhia.
Quando ela chegou aos 10cm, o GO encaminhou pro CC. As contrações pararam um pouco. Ela foi colocada na mesa de parto, deitada de barriga pra cima, como sempre. Contrações boas, a mãe fazendo força e o bebê não corava. Uma, duas, três vezes e nada.
O clima fica meio tenso, a mãe se desespera, faz uma força louca e nada... A cabeça vai e volta. Depois de muito esforço, finalmente a cabeça sai, mas o restante do corpo do bebê não... Em geral, depois que a cabeça sai, o corpo sai em uma ou duas contrações. Mas este bebê é muito grande e não sai sozinho.
O GO tenta muitas manobras, a equipe fica apreensiva, a mãe também. As respirações ficam suspensas por alguns segundos, pediatra e enfermeiras à postos. O GO tenta mover o ombro do bebê, várias vezes, com força... Até que finalmente ele nasce!
Nossa, que alívio! Já sai chorando, recebe o atendimento da pediatra, a mãe também chora, quer saber se está tudo bem...
Saio da sala de parto com o bebê... A bebê, na verdade! Pobrezinha, ficou com os braços e o tórax todo roxo, por causa do aperto da saída. Peso: 4.750gr. O que aconteceu com ela, é o que chamam de distócia de ombro.
A outra mulher que estava no quarto, em TP latente, não saiu da cama, só ficou conversando com a gente enquanto o TP da
J. evoluía, teve uma cesárea no dia seguinte.
Patrícia Merlin
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