09/02/07
Durante o dia, o tempo voa.
A partir desta semana, eu começo a fazer meu voluntariado pelas manhãs e sigo até no máximo às 17h.
Eu achava que era tempo demais, mas durante o dia, as coisas acontecem muito rápido, é bem diferente da noite. Que estranho!
Eu tenho 3 casos pra relatar hoje.
Um, é de uma mulher que eu nem sei o nome, por que mal consegui colocar a mão nela. Os detalhes que permeiam este caso, ficarão em off, por que eu não quero falar publicamente sobre isso...
M., risadinha. Acho que nunca vou me esquecer desta moça. Ela era muito jovem e estava internada há uns dias já. O TP dela não começava, apesar dos litros de soro que tomou. E ela viu passar muita das parturientes dos últimos dias. E ela ria. Ela ria muito, de tudo. Muito engraçada... A gente conversou demais e rimos muito juntas!
Enfim, quando ao ocitocina finalmente fez efeito, as coisas andaram muito rápido pra ela. E ela parou de rir.
Como nós ficamos o dia inteiro juntas, ela se agarrou em mim como se eu fosse uma velha amiga e foi muito bom! Ela gemia, se mexia, acocorava, ajoelhava no chão. Estava muito entregue ao TP.
Não demorou muito pra ela começar a fazer força, sem ordens, instintivamente, respeitando os puxos. Ela foi levada ao CC e eu fui junto. O expulsivo não foi rápido como a evolução, mas ela não teve epsio.
A
E. assistia o desenrolar do TP da risadinha, meio apreenssiva e querendo censurar, como se dar risada nesta hora, fosse inadequado. Ela estava no início do TP, com 2cm de dilatação, mas com contrações irregulares. Tomou banho, ficou com a mãe e deitou pra descansar, já que as suas contrações permitiam.
Eu passei toda a orientação que pude e vim embora, não pude ficar até o nascimento do bebê.
Patrícia Merlin
Comentários!

02/02/07
Um TP que não me quis e um bebê nascendo no leito.
Cheguei um pouco antes das 18h.
As duas mulheres no TP, vieram até a porta me olhar, acharam engraçada a moça com a bola nas costas. Carrego minha bola num elástico, como se fosse uma mochila.
Ambas estavam sem soro, caminhando, se mexendo e conversando, muito animadas.
Entrei, me apresentei e começamos a trabalhar juntas. As três no meio da sala, rebolando e falando sobre parir e nascer.
J. estava no TP do terceiro filho, os dois primeiros nasceram de PN. Ela estava muito tranqüila e feliz. Sua maior preocupação era o marido, que estava do lado de fora. De vez em quando, ela subia na escadinha da cama, pra olhar pela janela e os dois conversavam.
No entanto, apesar dela estar receptiva às dicas, trabalhar junto, ter toda a paciência, e experiência, a dilatação dela progrediu de 4 pra 5cm e ficou assim o resto do tempo, até eu ir embora, por volta das 22h.
Mas eu soube, no dia seguinte, que o bebê nasceu de PN, bem, antes da meia noite.
Casos assim me fazem pensar que a minha presença também atrapalha às vezes. E olha que no caso dela, eu quase não fiz nada, deixei ela muito à vontade, justamente por que ela estava lidando muito bem com tudo...
Ela estava tão bem, que orientava as outras mulheres do TP.
Quando eu cheguei tinha só ela e a
G. Mas uma outra menina tinha acabado de sair pro CC.
A
G., primípara, bem tranqüila também, tomou muitos banhos, reboulou, reclamou e teve seu filho no leito mesmo.
E aí o comentário da equipe: quando você está aqui, os bebês acabam nascendo no leito....
Por que será? rs
Patrícia Merlin
Comentários!

26/01/07
O retorno do samurai.
Nossa, que noite agitada!
4 mulheres no TP, todas em estágio avançado, com pouca diferença entre as dilatações. Eram tantas e todas precisadas, que eu nem sabia quem atender primeiro.
Fiz uma explanação geral sobre meu atendimento e sobre o que era bom fazer durante as contrações e elas foram se acostumando comigo.
A. era a de dilatação mais avançada, mas estava confortável no leito, erguendo o tronco, respirando durante as contrações, não quis sair dali, apenas aceitou algumas sugestões de posição. Ficou de lado, ajoelhada, saiu do leito um pouco, acocorou. Mas não quis ir pro chuveiro... Na verdade quando ela quis, o médico veio tocar e ela estava com dilatação total.
R. embora com 1 ou 2cm a menos que a A., parecia precisar mais de apoio e agarrou-se em mim. Levei-a para o chuveiro, tentei acalmar um pouco os pensamentos dela, fazê-la perceber o ritmo das contrações, a respiração e tal. Ela ficava com os olhos bem abertos durante as contrações, respirando forte e reclamando às vezes: ai, moça, isso dói demais!
A mãe dela estava junto e eu tratei de passar algumas orientações pra ela. Foi muito legal ver esta senhora ajudando a filha, acalentando, jogando água na barriga e dizendo que já ia acabar.
As duas,
A.e
R. acabaram indo pro CC ao mesmo tempo, e o bebê da R. nasceu primeiro, com epsiotomia, pelas mãos do residente. As contrações da A. pararam completamente dentro do CC e o bebê nasceu com auxílio de
vácuo extrator.
Ao mesmo tempo em que tudo isso acontecia, antes que eu entrasse no CC com as duas primeiras, a
A. (outra A.) estava completamente dura, tensa, apavorada. Era um VBAC e ela não fazia a menor idéia do que era o TP, por que o primeiro filho nasceu de CE (cesárea eletiva).
A quarta mulher em TP, a
D., era muito novinha e relaxava muito entre as contrações, pulando da cama como uma gata quando elas começavam. Por isso, eu estava mais atenta à A..
Eu tentava falar com ela, mas ela sequer mexia a cabeça pra me olhar. Mas eu fui tentando, tentando, até que ela sentou na beirada da cama. Neste ponto ela parecia conseguir me perceber e eu fui muito objetiva, disse que ela precisava se soltar, que estava dura, tensa, que ia ser muito mais complicado enquanto ela estivesse assim, que doía mesmo, mas que ela podia se ajudar e etc. Finalmente ela foi pro banho e ficou bem lá. Nisso a mãe dela chegou e fez companhia no chuveiro. A mãe também estava assustada. Ela saiu e sentou num banquinho, na beira da cama dela e ficou ali, mais relaxada, respirando melhor.
Eu estava com a
D., abaixada no chão, ela de joelhos no colchonete e a
A. começou a dizer que estava sentindo uma coisa estranha, como uma bolha na vagina. Eu, na calma, dizendo que era normal, que ela estava sentindo o bebê descer, pra ficar tranqüila, mas ela insistiu:
-Moça, olha aqui pra mim, esse bebê tá nascendo!
E tava mesmo!
Pedi pra ela deitar no leito e tentar não fazer força, que estava tudo bem. Fui chamar o GO e quando ele chegou a cabecinha já tinha saído. Ele colocou o bebê no colo dela e ela simplesmente não acreditava, chorava e gritava feliz, chamando pelo bebê, perguntando se estava tudo bem, sem acreditar que tinha sido fácil, que tinha acabado.
Realmente, levando em consideração a mulher que estava prostrada e dura naquele leito, eu jamais diria que o bebê dela nasceria menos de 2 horas depois, sem nem dar tempo de ir pro CC.
A
D. dilatou total muito rápido também, quando eu cheguei ela estava com 3cm, tinha acabado de internar. Mas o expulsivo dela foi bem lento. Infelizmente, no SUS lentidão no expulsivo é sinônimo de intervenção e tivemos o segundo bebê nascido com auxílio de vácuo em uma noite.
Acho que os nascimentos tiveram um intervalo de 30 minutos cada, foi quase produção em série...rs
Eu diria que voltei com a corda toda!
Patrícia Merlin
Comentários!
